Publicitário abandona carreira e salário para descobrir outros talentos

Após viajar pelo mundo, Eduardo testou 31 trabalhos em 31 dias

Publicitário abandona carreira e salário para descobrir outros talentos
De marceneiro a garçom, passando por cozinheiro e babá do filho de um amigo

O brasiliense Eduardo Talley tomou uma decisão: largar seu emprego como diretor de arte em uma agência de publicidade de São Paulo e viajar pelo mundo. Na volta, ao invés de retornar a sua carreira publicitária, resolveu tomar novos rumos: em março deste ano criou o projeto onedayhand ("uma mãozinha por dia", em tradução livre), em que passou por diversos trabalhos que nunca havia exercido. Seu objetivo? Descobrir novos talentos e "voltar a ter satisfação no ambiente profissional".

"De volta ao Brasil passei dois anos trabalhando de várias coisas: em obras, como assistente de pedreiro, em produção, fui numa viagem de veleiro com a família Schurmann, oferecia minha mão de obra em coisas que nunca tinha feito. Consegui pagar minhas contas praticamente fazendo trabalhos aleatórios, coisas que eu estava fazendo pela primeira vez", disse. Nesse período, trabalhou como babá para os filhos de um amigo, como assistente de cozinha, ajudante de marceneiro, produtor de eventos, garçom, pintor, entregador de plantas, sorveteiro, entre outros. "Foi uma sensação ótima, e ainda tem muito mais coisas que quero aprender a fazer".

Segundo Eduardo, é possível ganhar de R$ 50 a R$ 150 por dia, dependendo da função: "É mais do que muita gente ganha ralando o mês inteiro num mesmo lugar. Mas não tem a estabilidade que muita gente procura. A gente foi criado para trabalhar, ter uma carreira, comprar um carro, uma casa e ter uma família. Hoje a gente não precisa mais querer isso, buscar isso, mas tem muita gente também que não sabe o que quer, e aí está o problema".

Largando tudo

Foram 31 "empregos" diferentes em 31 dias. "Isso me deu uma sensação que eu já não sentia em publicidade fazia tempo: de satisfação, de reconhecimento, de trabalho concreto com começo, meio e fim", disse. Eduardo cumpriu seu projeto na cidade de São Paulo e agora pretende fazer o mesmo no Rio de Janeiro. Há ainda a ambição de expandir essa ideia para que outras pessoas possam passar pela mesma experiência.

Ele explicou: "Recebo mensagens de pessoas que estão há 15 anos na mesma profissão e não sabem nem por onde começar a pensar em outra coisa, embora tenham vontade de mudar de carreira, ou de experimentar outros trabalhos. Essa pode ser uma oportunidade de experimentar".

Na agência, Eduardo trabalhou 10 anos e tinha "o que pode ser considerado um bom salário para a área". Foi a partir de 2012 que resolveu mudar sua condição de vida: economizou dinheiro e decidiu dar uma volta ao mundo. Ele não estava satisfeito, por mais que recebesse razoavelmente bem, achava que trabalhava horas demais e que deveria ser melhor remunerado pelo que fazia.

"Eu estava no melhor momento da carreira, trabalhei nas melhores agências, bom salário, bom cargo, enfim, eu gostava do que fazia, mas aquilo parou de fazer sentido pela energia que você gasta, falta de reconhecimento, tempo que gasta no trabalho e falta de tempo para a vida pessoal, coisas que todo mundo reclama. Aí achei que não dava mais e pedi demissão. E fiz uma poupança boa, não tinha nem tempo para gastar dinheiro antes, tinha poucas férias, e guardei dinheiro para poder dizer: agora eu posso decidir o que eu vou fazer", explicou.

E ele não pretende parar por aí: quer experimentar outras funções. "Tem muita coisa que ainda quero aprender: fazer joias, cuidar de cachorros, um monte. Quero continuar a fazer coisas que nunca fiz. Pelo menos mais umas cem", concluiu.

Foto: Reprodução Facebook

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