Work Exchange: chegou a hora de mudar tudo

Trabalhar em outro país em troca de hospedagem e comida pode ser muito mais vantajoso do que um simples intercâmbio. 

Work Exchange: chegou a hora de mudar tudo
Entenda conceito de work exchange e como se candidatar

Você já pensou em trabalhar fora do Brasil? E se esse trabalho fosse em troca de hospedagem, comida e experiências ao invés de dinheiro? Esse projeto existe e se chama work exchange, em português, intercâmbio de trabalho. Muitos brasileiros já se aventuraram no exterior em um work exchange e voltaram cheios de lembranças e experiências vividas, mas muita gente ainda não conhecem nada sobre isso. Vamos saber um pouco mais?

O que é work exchange?

O conceito de work exchange é basicamente trabalhar em alguma área – pode ser em projetos ambientais, em educação de crianças ou adultos, em turismo e hotelaria, em fazendas e produções agrícolas, e muitas outras – em troca de hospedagem e alimentação. Mas na verdade, os benefícios são muito maiores do que esses. Se ganha em vivência num lugar completamente diferente do seu, de uma realidade diferente, amigos dos mais diversos cantos do planeta e uma nova visão de mundo.

É como um trabalho voluntário? Sim, mas pode-se aproveitar essa experiência para enriquecer também o seu currículo. Muitas pessoas aproveitam a experiência do work exchange como um estágio curricular ou extra-curricular. Mas o engrandecimento pessoal é o principal motivo para embarcar numa aventura como essa.

Por que fazer um work exchange

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Essa é, antes de tudo, uma decisão pessoal. Nós do E-konomista iremos orientar de acordo com as experiências de quem já viveu um período em work exchange. É preciso decidir qual é o seu objetivo com esse projeto.

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  • Explorar uma paixão - Que tal fazer algo que você sempre quis mas aqui no nunca teve oportunidade? Quem é apaixonado por meio ambiente pode procurar projetos ambientais que necessitem de voluntários para lidar com a preservação da natureza e dos animais. Tem o dom pra ensinar? Muitas pessoas precisam aprender. Sejam crianças ou adultos, ensinar português ou a surfar, ensinar algo da sua área para quem precise. Se você é ator, por que não ajudar na produção de teatro em áreas carentes? É bom na cozinha? Pode ajudar na cozinha de restaurantes e aprender muito com isso. Sabe gerir redes sociais? Por que não ajudar em um projeto que você acredita através de promoção pela internet? Os motivos são muitos. Basta saber o que você pode doar e o quanto ganhará de experiências e vivências em troca.

  • Encontrar-se ou afastar-se de um problema – outro motivo freqüente para embarcar num work exchange é a necessidade de mudança, de dar uma reviravolta na vida, ver a vida por outros ângulos. Nada melhor para rever os nossos conceitos como ajudar aos outros, sentir-se útil, ver que você é apenas mais um no mundo e que muita gente precisa de ajuda – e que basta boa vontade para que nós possamos ajudar. A experiência do work exchange te tira da sua zona de conforto, te faz aprender muito e dar valor à vida.

  • Praticar um novo idioma – quantos brasileiros estudam anos de inglês mas não colocam em prática? Muitos. É muito importante praticar o idioma estrangeiro, seja ele qual for. E poder praticá-lo tendo a oportunidade de conhecer um novo país, ajudar a quem precisa e ganhar experiência pessoal e profissional é um dos motivos para participar de um work exchange.

Para onde ir?

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1. Qual país escolher

A escolha do país é parte fundamental do sucesso de um work exchange. É preciso ponderar vários pontos como: qual é o idioma do lugar? Eu gosto da temperatura que vou apanhar por lá? Prefiro uma cidade grande e cosmopolita, uma ilha de pescadores ou cidade do interior? Que tipo de cultura quero explorar? Vale a pena fazer pesquisar na internet sobre a recepção a estrangeiros, sobre a situação de segurança do local, sobre outras pessoas que passam por situações parecidas para se informar, orientar e ancorar em outros aventureiros.

2. Qual organização escolher para fazer o work exchange?

Após decidir o país é preciso escolher bem a organização que vai te ajudar a realizar essa experiência da forma como você pretende. Há organizações das mais diversas como o Work AwayWwoof, Helpx, Para Onde e muitas outras que te ajudam a encontrar o local de trabalho voluntário que corresponda às suas expectativas.

3. Como funciona a candidatura?

Isso varia de acordo com a organização em que você vai trabalhar como voluntário. Algumas delas pedem para fazer uma entrevista por Skype, outras pedem o preenchimento de formulários e documentos para conhecer mais sobre você. É preciso candidatar-se com uma boa antecedência antes do período de partir para o país para que você conheça bem as condições oferecidas e para que a instituição conheça mais sobre você. Eles mandam relatórios com informações sobre o lugar, sobre as condições do alojamento e das refeições, da segurança, o tipo de atividades praticadas, etc. Normalmente, é um processo nada complicado.

Atenção: existem companhias cobram altos preços para ajudar na comunicação entre possíveis voluntários e organizações com vagas abertas, a maior parte delas sediadas nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Muitas pessoas acabam por pagar esses valores por mera desinformação. Existem organizações que fazem esse serviço de graça, ou pedem contribuições simbólicas para manter o seu funcionamento – o que é louvável e vale a pena contribuir. O conselho é tentar entrar em contato com as próprias organizações que buscam voluntários para ter melhores informações.

Eu preciso ter muito dinheiro para uma aventura como essa?

É preciso ter uma reserva financeira pois você terá gastos e trabalhará como um voluntário. Apesar de, na maioria dos projetos de work exchange, você não ter gastos com hospedagem e alimentação, com o restante das necessidades pessoais você terá. Quem vive uma experiência como essa sempre tem a vontade de participar de festivais, jantares de amigos, festas, fins de semana fora, viagens, etc. Portanto, é preciso avaliar:

  • O custo de vida do país e cidade onde vai morar
  • Se haverá a necessidade de visto e quanto isso vai custar
  • O valor das passagens de deslocamento (ida e volta) do local – que ficam por conta do voluntário
  • Vai viajar pelo país? Confira o quanto se gasta em média para realizar viagens nesse país e nos vizinhos.

Como economizar para fazer work exchange

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1. Poupe

Faça uma poupança mensal de um dinheiro para essa experiência.

2. Trabalhos extras

Trabalhos temporários como garçom/garçonete, babás, dando aulas particulares, cuidar/passear com cachorros, jardinagem, auxiliar de escritório, em restaurantes nos fins de semana, em tudo que puder lhe render uma grana extra.

3. Promova jantares com amigos e familiares

Cobre um valor por pessoa, que será parte utilizado para realização do jantar, e parte vai para sua poupança do work exchange. Fica mais barato do que comer em restaurantes na rua, o dinheiro contribui para a sua felicidade e beneficia muitas outras pessoas que você irá ajudar. “É por uma boa causa”, diga a eles.

4. Venda coisas que você não precisa

Pratique o desapego. Essa já vai ser uma preparação para a experiência que você vai viver. Venda roupas, bicicleta que não usa, livros, móveis, enfim, o que não irá fazer falta e pode render um bom dinheiro. Há quem venda o carro para fazer uma experiência como essa e não se arrepende. Vai de cada um, o importante é desapegar!

5. Faça um crowdfunding

Trata-se de um financiamento coletivo em que pessoas doam dinheiro quando acreditam que é uma boa causa. Muitas pessoas já conseguiram arrecadar muito dinheiro de quem acredita em boas ações e financiam aquilo que consideram positivo. Você vai sair do seu país, da sua zona de conforto para voluntariar em outro lugar. É uma causa nobre e pode ter um bom financiamento, tanto de amigos, quanto de almas boas desconhecidas. Existem vários sites que fazem esse tipo de financiamento, como o Cine Crowd.

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Histórias reais

Veja abaixo histórias reais de quem já passou por essa experiência. Afinal, nada como avaliar a possibilidade de fazer um work exchange com base em perspectivas verdadeiras sobre o tema. 

A portuguesa viajante

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Muitas das informações aqui expostas foram esclarecidas por Inês Ferrão, uma jovem assistente social portuguesa que já viajou pelo mundo, tendo feito inclusive um work exchange para o Brasil. “Estagiei numa das maiores favelas do Brasil e fiz amizades para toda a vida, fiz work exchange numa pousada no Rio de Janeiro, andei 3 meses de mochila às costas em África, passei um mês a trabalhar num hotel em Zanzibar onde o meu quarto tinha vista para o mar turquesa do Índico” disse Inês, que recomenda a aventura para todos.

Hoje ela coordena o já citado anteriormente website Para Onde, que orienta, informa e incentiva os seus leitores a participarem de voluntariados, work exchange e estágios para todo o mundo. Esse é um dos poucos sites em português que orientam os leitores e nós recomendamos muito a visita para quem se interessar nessa aventura, é completo e sugere programas de work exchange para todo lugar. A energia positiva de Inês sobre essa experiência é contagiante: “Arrisca, vai, aprende, ensina, partilha e absorve. Acredito que é essencial viajar, conhecer e crescer nas mais diversas áreas (...) tento desde sempre inspirar e motivar todos a fazer o mesmo”.

A brasileira e as fazendas orgânicas

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Amanda Barbosa também é um excelente exemplo de pessoas que participaram de um work exchange e tiveram experiências engrandecedoras. Ela participou de um programa de work exchange em Cornwall, um condado no sudoeste da Inglaterra, trabalhando na terra, ajudando na horta em fazendas orgânicas através do programa do Wwoof. Ela conheceu um rapaz que estava como voluntário no Brasil por esse mesmo programa e já se interessou pelo projeto.

No ano de 2014, estudando na Inglaterra para aprimorar o idioma, resolveu partir para um work exchange: “O que me deu coragem para experimentar o work exchange foi a questão de poder conhecer vários lugares gastando-se quase nada. Comecei a participar de grupos no Facebook e via fotos de lugares incríveis e o quanto as pessoas eram felizes por terem esse tipo de vivência e quantas histórias ricas elas tinham para contar. Além disso, estava em um momento bastante introspectivo devido a uma grande perda na minha família e sabia que o contato com a natureza me ajudaria muito a voltar ao meu equilíbrio.”

Fora da zona de conforto

Em entrevista ao E-konomista Amanda não apontou nenhum ponto negativo em sua experiência. “Aprendi que sair da zona de conforto é a única maneira de realizar nossos sonhos. Nada do que vi e aprendi lá teria sido possível se eu não tomasse a decisão de superar minhas inseguranças. Pude perceber que independente de culturas diferentes, as pessoas são iguais em qualquer lugar no mundo e que todas, vi que eu não estava sozinha naquela caminhada, e pude sair de lá muito mais fortalecida para superar minha perda. Foi como uma super sessão de terapia intensiva, porém a minha única terapeuta foi a mãe natureza", conta. 

A experiência deu tão certo que hoje ela já está em seu segundo work exchange, agora para os EUA. Você pode acompanhar de pertinho as aventuras de Amanda pelas terras do Tio Sam através do seu portal Por Uma Vida Mais Rica, que esclaresce, entre outros assuntos, dúvidas sobre o work exchange.

Nem tudo são flores

Os depoimentos de Inês Ferrão e Amanda Barbosa dão vontade de fazer as malas e partir logo, certo? Mas infelizmente, nem tudo são flores. A experiência de Cristina Martins* com o work exchange teves altos e baixos. Ela partiu para um work exchange que serviu como período de estágio profissional na Índia. Formando na faculdade de turismo, viu numa organização a oportunidade de trabalhar em uma grande rede hoteleira indiana. “Na época eu já era apaixonada pela cultura indiana e queria muito conhecer o país. Trabalhar, ganhar horas para o meu estágio e conhecer essa país era um sonho. Ainda mais que era um hotel de 4 e 5 estrelas. Pesquisei sobre e fui. Fui muito bem recebida pelos gestores do projeto e fiquei hospedada durante os 4 meses que fiquei lá em quartos do hotel com conforto e refeições maravilhosas”, comenta. 

Mas Cristina teve problemas. Primeiro, com a escala de trabalho. “Como eu ficava ‘hospedada’ no hotel, eu trabalhava o dia inteiro. Eram entre 10 e 18 horas por dia, foi exaustivo. Não havia um cargo exato que eu seguia, quando me candidatei a vaga era para hotel assistant (assistente de hotel), eu tive que fazer de tudo um pouco. Não estou reclamando disso, arrumei camas, limpei mesas, atendi na recepção, organizei recepções, tive muitas experiências profissionais, mas ter de acordar durante a noite para servir quartos – já que a cozinha ficava em funcionamento por 24h – era o fim para mim. E os demais trabalhadores indianos consideravam o regime de trabalho normal, e eu acabei taxada de preguiçosa”, admite Cristina.

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Assédio, roubos e medo

Mas a pior experiência de Cristina foi em relação à insegurança. “Morando em Mumbai e Nova Délhi eu sabia que não seria fácil. Fui furtada 2 vezes em 4 meses, mas isso não foi o pior, porque até admito me descuidei dos meus pertences. O pior era o medo de andar sozinha nas ruas. Os casos de estupro se multiplicavam em Mumbai e eu tinha muito medo”, revela.

A turismóloga passou por momentos de aflição: “ Algumas vezes eu fui seguida por alguns homens, mas eu estava sempre alerta. Tive muito medo um dia que voltava pra casa por volta das 20h e três homens começaram a me seguir. Havia poucas pessoas na rua e eu já estava prevendo o que poderia acontecer. Entrei em desespero, começei a chorar e a andar muito depressa. Tive sorte de encontrar um portão aberto numa casa nas redondezas de onde estava. Entrei e dei de cara com uma família assustada pela minha presença. Expliquei o que aconteceu e fui bem acolhida por eles. Me ofereceram água, comida, e me levaram até a minha casa de carro. O pai da família ainda tentou encontrar os homens mas sem sucesso. No fim ele ainda me repreendeu dizendo que isso não era hora de uma mulher andar sozinha pelas ruas, mesmo que ainda estivesse claro", enfatiza.

Pontos positivos

Mas a experiência teve muitos momentos bons para Cristina, apesar de tudo. “Fiz amigos para a vida inteira, me apaixonei ainda mais pela cultura indiana, fiz viagens incríveis, tive uma experiência profissional que me colocou na posição que estou hoje”, conta. Hoje Cristina é gerente em um hotel em Londres, ela entrou como assistente de recepção e foi crescendo na carreira graças à experiência na renomada cadeia de hotel em que voluntariou.

“Eu acho que a experiência foi muito boa para mim porque cresci muito como pessoa e como profissional. Infelizmente, me tornei mais temente à violência. Já se passaram quase 6 anos e ainda não consegui voltar na Índia, e mesmo no Brasil eu ando com mais medo do que já tinha. Recomendo que a pessoa pesquise muito sobre a segurança do lugar antes de viajar”, avalia.

*O nome da entrevistada foi trocado para garantir sua privacidade.

Fique por dentro de dicas para economizar nas suas viagens nacionais e internacionais.

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Ana Luiza Fernandes Ana Luiza Fernandes

Ana Luiza Fernandes é brasileira, natural de Minas Gerais, formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e hoje cursa Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, Portugal. Possui trabalhos na área de Jornalismo Cultural, Fotografia, Documentário e Assessoria de Imprensa e é apaixonada pela profissão desde criança.

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