Conheço o mundo, mas não conheço o Brasil

O que vale mais a pena? Conheça a opinião de viajantes brasileiros que analisam todos os aspectos de viajar tanto fora quanto dentro do Brasil.  

Conheço o mundo, mas não conheço o Brasil
A opinião de quatro viajantes sobre o Brasil e exterior

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“Qual é o seu próximo destino?” Essa pergunta enche de ansiedade e vontade de pegar a estrada a quem tem alma de viajante. Conhecer novos lugares, novas pessoas, novas culturas é algo que instiga muita gente, e aqui no Brasil o número de pessoas que viajam cresceu muito nos últimos anos. Segundo pesquisa realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para o Ministério do Turismo e divulgada em 2012, o número de brasileiros que viajam cresceu 18,5% de 2007 a 2011, ano em que foi feito o último levantamento desse tipo.

Mas será que vale mais a pena viajar pelo Brasil ou para o exterior? Existem muitas histórias de brasileiros que viajaram o mundo, mas não conhecem as belezas do seu próprio país. Porém, a viajar pelo Brasil ou pelo exterior depende de uma série de fatores. O E-konomista conversou com "brazucas viajantes", especialistas no assunto, para entender melhor porque isso acontece.

Brasil é maravilhoso, mas...

Já que muita gente gosta de viajar, quais são destinos? É verdade que nós moramos em “um país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza” e existem diversos lugares com belezas naturais de colocar inveja em muito estrangeiro. E a maior parte dos brasileiros faz viagens para turismo interno. Mas é verdade também que existe grande número de brasileiros se aventurando no exterior.

Estudar e aproveitar

Os motivos são muitos, mas as principais ocorrências são de jovens que partem para intercâmbio, pessoas que buscam profissionalização no exterior ou que vão em busca do aprimoramento de uma língua estrangeira. Muitos deles nunca haviam saído do país, e voltam com os passaportes cheios de carimbos, inúmeras fotos, muitas histórias pra contar e mais um monte de destinos que anseiam por conhecer.  

Mariele Velloso é um desses exemplos: jornalista mineira de 26 anos que fez intercâmbio para Portugal por 6 meses e teve oportunidade de conhecer 7 países, o que ampliou o seu desejo de continuar viajando. “Eu sempre gostei de viajar, mas depois do intercâmbio viajar tornou-se uma necessidade. Penso o tempo todo em lugares novos que quero conhecer. E faço questão de sempre guardar dinheiro na poupança para a minha próxima viagem. É uma prioridade de vida” confirma.

Mariele em Londres
Foto autor


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Vantagens de viajar no exterior

Quem já teve a oportunidade de conhecer muitos lugares dentro e fora do país tem bagagem suficiente para dizer o que o Brasil precisa melhorar quando o assunto é turismo e fazer essa comparação.

Custos

Apesar de a nossa moeda ser desvalorizada frente ao dólar, euro e libra, viajar no Brasil ainda custa muito caro. São poucas as opções para quem quer fazer uma viagem low cost (a baixo custo). São poucos os hostels (ou albergue) de qualidade no nosso país, e as passagens aéreas ainda são muito mais caras do que no exterior.

Então é mais barato ir para a Europa do que ir pro Nordeste do Brasil?  Não, não é. Isso por causa dos preços das passagens Brasil X Europa que ainda custam caro, e para os países da América do Norte, Ásia e Oceania a situação é a mesma. O que sai barato no exterior é ter a possibilidade de utilizar “diversas opções de meios de transporte e hospedagens mais baratas e com muita qualidade e segurança, que justificam e valorizam essa diferença de preço.

No Brasil, por ser um país de grande extensão territorial, as passagens de avião são muito caras quando comparadas com passagens de trechos domésticos de outros países. E outras opções como trens e ônibus dentro do Brasil são precárias para que se possa optar por estes meios de transporte” disse Mariane Paim, economista que já tem na bagagem 34 países visitados. E ela garante: “se a idéia da viagem for algo mais luxuoso, paga-se caro em qualquer lugar do mundo, seja no Brasil ou fora.”

Mariane Paim em Machu Picchu, no Peru


Por fim, os custos de viajar pelo exterior ou pelo Brasil depende da prioridade e do quanto o viajante quer/pode gastar. Quando se faz uma viagem à Europa consegue-se visitar diversos países em modo econômico com o mesmo valor que se gastaria para ficar em uma praia do Nordeste. O caro é chegar até lá.

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Segurança

É claro que há riscos em qualquer lugar do mundo que se visita. Seja no Brasil ou nos destinos mais procurados do exterior, há sempre a possibilidade de se encontrar em uma situação de perigo. “Procuro estudar bastante o destino da minha viagem antes de ir a fim de saber, exatamente, onde NÃO ir” disse Eduardo Leitão, brasileiro de 26 anos que desde 2006 iniciou sua rotina de viajante e nunca mais parou, tendo visitado até então 39 países.

Eduardo Leitão na Grécia


Para ele e para todos os viajantes, a segurança é prioridade, mas a preocupação, medo e tensão de perder seus pertences (ou alguma coisa mais grave acontecer) ainda são mais fortes dentro do Brasil. “Posso dizer que na Europa sempre me senti segura. Andava de madrugada sozinha pela rua e nunca fui abordada. Já no Brasil fico atenta todo tempo, me sinto sempre insegura durante minhas viagens” revelou Mariele Velloso.

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Preparo para receber turistas

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Nos destinos mais comuns como Europa, EUA, Canadá e Austrália, por exemplo, percebe-se que o preparo para receber os turistas é consideravelmente superior ao que encontramos aqui no país, principalmente se o turista for estrangeiro.  

A quantidade de pessoas que falam inglês ainda é muito pequena, e isso inclui taxistas, funcionários de hotéis, restaurantes, lojas e até aeroportos. “Vim ao Brasil na época da Copa [do mundo em 2014] e esperava que o país fosse melhorar muito em questão de infra-estrutura. Mas presenciei caos nos aeroportos, despreparo da população para falar inglês, falta de sinalização e postos de informações dentro das cidades e o aumento dos preços de hospedagem e alimentação” lamentou Mariane, demonstrando que ainda precisamos melhorar e muito nossa recepção aos turistas brasileiros e estrangeiros.

Cidades com poucos brasileiros para fazer intercâmbio.

Proximidade com outras culturas

Quem viaja ao exterior, é normalmente movido pela vontade de conhecer culturas e lugares muito diferentes do que estamos acostumados no nosso país. “Há uma troca de cultura maior quando se está fora do Brasil e isso me fascina” admitiu Tomas Mousinho, 26 anos, que já conheceu a cultura de 29 países diferentes.

Tomas Mousinho


A curiosidade de se aventurar além fronteiras também é o que mais motivou Mariane: “Conhecer o diferente sempre agrega valor em nossas vidas. E quando saio da minha zona de conforto, tendo que conviver com idiomas, culturas e pessoas muito diferentes de mim, sinto-me crescer e evoluir como ser humano” mostrando que viajar não é apenas entretenimento, e sim um ganho para todos os aspectos da vida.

Eduardo Leitão ressalta como no exterior é fácil ter contato com culturas diferentes devido à proximidade dos países e do baixo custo para se viajar de um para o outro: “A paixão pela diferença cultural e a chance de presenciar vários países em um espaço de 2 horas me faz gostar mais de viajar no exterior”. 

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Vantagens de viajar pelo Brasil

Viajar pelo Brasil também pode ser uma experiência extremamente interessante. Obviamente, existem aspectos negativos, mas vale a pena ficar de olho nas coisas boas que o País tem a oferecer aos turistas.  


O acolhimento do povo brasileiro


É unânime – os brasileiros podem ter os defeitos que for, mas é o povo mais acolhedor e caloroso na opinião dos nossos viajantes entrevistados e também na opinião de muitos estrangeiros. “No Brasil eu me sinto em casa em qualquer lugar que vou. Longe daqui sempre fui muito bem acolhido mas falta o sentimento de pertença. O povo brasileiro é insuperável” disse Tomas, ressaltando a qualidade da receptividade brasileira.

“Mesmo que você não fale a língua deles, o povo faz de tudo pra te ajudar” complementou Mariele, lembrando que em países como a França, por exemplo, não falar o idioma local torna a aquisição de informação algo mais complicado.

A língua

Como já foi ressaltado acima, a maior parte dos brasileiros não fala inglês ou qualquer outro idioma a não ser o português. Muitas pessoas vêem-se limitadas a não fazer viagens ao exterior por medo de não conseguir “se virar” sem o domínio do idioma universal para o mundo todo. As aventuras ao exterior têm se alargado nos países da América Latina – onde um bom “portunhol” dá pra realizar a viagem com facilidade – ou para países onde se falam português. O número de brasileiros que chegam a Portugal (e dão um pulo na Espanha) todos os anos para viajar supera os demais países europeus justamente devido ao idioma.

E os EUA? Sim, muitos brasileiros vão aos EUA, mas a situação é um pouco diferente. A maior parte vai a Miami - cidade com número enorme de brasileiros onde fica fácil “se virar” - ou pra Orlando, que é o destino dos mais jovens que normalmente têm melhor conhecimento de inglês e normalmente são feitas em excursão – ou ainda pra Nova York, cidade que demanda a companhia de alguém que domine o idioma local.
 

Viajar para o exterior sem dominar o inglês é possível, mas pode render alguns desencontros e ficar perdido por um país desconhecido. Viajar dentro do Brasil tem a vantagem de por todo lado entender e ser entendido pela população local, e ainda poder presenciar os mais diversos e divertidos sotaques que existem no nosso país. 

O tempo de viagem

Apesar de termos um país com dimensões continentais, é perfeitamente possível passar 5 dias no Nordeste e voltar tendo o descanso garantido viajando de avião. São poucas as pessoas que conseguem tirar muitos dias de férias seguidos para fazer uma viagem longa, e passar menos do que 10 dias em países da Europa ou Eua não é algo que compense. São mais de 10 horas de viagem atravessando oceanos, o que é muito cansativo. Somando a ida e a volta, é 1 dia todo “perdido” em transporte, o que aqui no Brasil se resume a algumas horas.

Conheço o mundo, mas não conheço o Brasil

Infelizmente é comum ouvirmos isso. Muita gente já deu a volta ao globo mas não conheceu nem a metade dos Estados do nosso país. Entre os nossos entrevistados, por exemplo, Tomas Mousinho é aquele que mais Estados conheceu, foram 11 ao total, mas mesmo assim, menos da metade e de todos os estados brasileiros,  um número muito inferior ao total de 29 países visitados por ele. Isso porque ele é uma exceção, a maior parte dos brasileiros – mesmo os viajantes – conhecem muito menos estados da nossa federação.  

Dentre os muitos motivos já citados acima, destaca-se os custos com as hospedagens e qualidade dos transportes. Apesar do número de embarque e desembarque domésticos terem crescido 70% entre 2007 e 2012, o transporte mais utilizado em viagens no Brasil ainda é o carro. Viajar de carro implica custos altos com gasolina – que está cada dia mais cara – com manutenção do veículo e atenção redobrada pois a qualidade das nossas estradas é precária. Salvo aquelas que são privatizadas – e que cobram pedágio, o que encarece mais a viagem – o viajante precisa se preocupar com o percurso e ficar atento à possíveis assaltos e acidentes nas estradas.

Vontade de continuar viajando

Quem já pôs o pé na estrada uma vez, fica difícil querer parar. Quanto mais se conhece, mais se quer conhecer. Esse desejo que move os viajantes é bem definido no conceito de wanderlust, pouco difundido aqui no Brasil mas muito conhecido no exterior.

Wanderlust é uma expressão derivada do alemão: ''wandern'' = a vagar, e ''Lust'' = desejo. É comumente definido como um forte desejo de viajar, ou de ter um forte desejo de explorar o mundo.”  Fonte: Wikipédia

Por isso, quem gosta de viajar pelo Brasil ou pelo exterior  já tem sempre um novo destino a desbravar na ponta da língua, uma reserva financeira para a próxima viagem e uma câmera pronta para registrar esses momentos.

As viagens ao exterior trouxeram à maioria do ex-intercambistas a vontade de desbravar o Brasil, conhecer sua pátria e o que de melhor ela tem a oferecer. Ser um turista em seu próprio país e ter alma de viajante é uma herança que todos que conhecem o mundo afora trazem consigo e que a cada destino só aumenta a vontade de conhecer novos lugares.

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Ana Luiza Fernandes Ana Luiza Fernandes

Ana Luiza Fernandes é brasileira, natural de Minas Gerais, formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e hoje cursa Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, Portugal. Possui trabalhos na área de Jornalismo Cultural, Fotografia, Documentário e Assessoria de Imprensa e é apaixonada pela profissão desde criança.

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