Cidades onde a segregação (social, racial, de gênero) é maior

O muro de Berlim caiu e o Apartheid acabou, mas a segregação continua a mostrar suas facetas ao redor do mundo.

Cidades onde a segregação (social, racial, de gênero) é maior
As cidades que mais segregam a população em termos econômicos, sociais, políticos e étnicos

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A segregação sempre esteve presente e ainda é: o Partido Nacional da África do Sul manteve o regime do Apartheid por 46 anos, antes de ser abolido em 1994. A separação feita entre negros, brancos, indianos e “de cor” (sic) era não só evidente, mas obrigatória. Regiões residenciais reservadas aos brancos culminaram na retirada de outras etnias à força. Os negros foram privados da cidadania sul-africana a partir da década de 70 e a segregação racial só piorava. Saúde, educação e serviços públicos priorizavam a qualidade aos brancos e até os transportes eram divididos. Foi só em 94 que as eleições democráticas chegaram e Nelson Mandela foi eleito, pondo fim às atrocidades. Em 89, a queda do muro de Berlim erguido após a Segunda Guerra Mundial marcou o fim da divisão da Alemanha entre ocidental e oriental, e o mundo inteiro vibrou com as imagens transmitidas na televisão e o encontro de pessoas que há muito não se viam.

A segregação mascarada

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Mesmo que os anos 90 tenham avançado muito em termos de dar fim às segregações, os anos que se sucederam deram origem a uma segregação tão violenta e preocupante quanto uma política imposta ou um muro erguido. É a segregação mascarada no dia a dia, não declarada. Falamos da segregação social, étnica, religiosa, política e de gênero.

Não declarar ou assumir publicamente uma segregação é, de toda forma, limitar o poder de uma minoria, tornando-a impotente. Lutar contra isso pode ser tão ou mais difícil que derrubar um muro ou eleger um novo presidente. Veja a seguir as cidades que cada vez mais segregam a população no mundo.

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Social

Só as cinco famílias inglesas mais ricas detêm o dinheiro de 12,6 milhões de cidadãos britânicos. Os 10% mais ricos detêm 60% dos imóveis em Londres. Cada vez mais, os mais pobres são empurrados às áreas mais afastadas, enquanto só os milionários (de verdade) podem adquirir um imóvel entre as zonas 1 e 2 da cidade. Recentemente, uma medida do governo para permitir a habitação igualitária do centro da cidade foi impor às construtoras a disponibilização de residências de menor custo para o acesso aos cidadãos de baixa renda dentro do mesmo complexo de edifícios construído para o restante do público. Ou seja, no mesmo condomínio, residências populares e não populares.

A medida é interessante e permite que os mais pobres tenham acesso a uma residência no centro e não vivam sempre às margens. Mas as manobras das construtoras inquietaram a população. As construtoras cumprem o acordo com a prefeitura, mas constroem entradas diferentes no mesmo condomínio para os moradores que compraram os apartamentos com o preço “normal” e os que adquiriram um imóvel de menor valor – e tamanho. Outra questão é o impedimento de os moradores de baixa renda usufruírem das áreas comuns do condomínio, como as piscinas. O mesmo acontece em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Em São Paulo, alguns moradores protestam contra o projeto da prefeitura que quer construir uma habitação popular na região nobre da Vila Leopoldina, em uma área de 3.000m² usada atualmente pela CET. Eles alegam que a medida definida pelo Plano Diretor pode ser uma ameaça à segurança e que podem ter os imóveis desvalorizados por conta da construção. Discurso de uma moradora da região: “Vão tirar as pessoas da favela e colocar aqui? Não é discriminando todas as pessoas que virão, mas tem um monte de bandido no meio. Vai acabar com o sossego do bairro.”
São Paulo é uma cidade em que o metro quadrado nas regiões centrais custa cerca de 10 vezes mais do que nas bordas, o que faz com que a maioria das famílias seja empurrada às beiras da cidade ou à região metropolitana. Viver no centro da cidade gastando pouco é, muitas vezes, condicionado à violência nas regiões como Luz, Sé e Anhangabaú.

Luanda, a capital angolana, é uma das cidades mais caras para se viver – a mais díspar em termos de desigualdade. Enquanto os mais ricos, geralmente exploradores do petróleo, vivem em condomínios cercados por portões, a maioria da população luta para garantir que consiga comprar toda a cesta básica de alimentos no fim do mês. Um quarto num hotel simples pode ter diárias a R$ 1.000, por exemplo.

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Étnica

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Os chamados ghettos, nos Estados Unidos, abrigam os negros, mexicanos e todos os tipos de imigrantes em Nova Iorque. Bairros como o Queens e Bronx são conhecidos pela dominância afro-descendente e mexicana. Na costa Oeste, com a dominância da imigração latina, em megalópoles como Los Angeles, onde 30% da população vive em bairros segregados, ou em pequenas cidades como Phoenix, é possível perceber as diferenças sociais atribuídas a uma diferença étnica.

O próprio candidato à presidência, Donald Trump, afirmou há dois meses a intenção de apertar a política em relação à imigração, alegando que os Estados Unidos são o local de despejo de cidadãos mexicanos. Mesmo que tenha tentado posteriormente corrigir o discurso, não descartou também a construção de um muro na fronteira com o país latino.

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Religiosa

Os judeus querem o acesso a Israel pela terra prometida de Maomé, Jerusalém. Os palestinos, por sua vez, desejam a região por ser abundante em água, pois por lá passa o Rio Jordão. Os confrontos entre Israel e a Palestina figuram desde o fim da Segunda Guerra, e somente o combate já gerou muitos outros motivos para que ambos não cedessem ou cessassem fogo.

A tentativa de estabelecer um estado islâmico na Síria culminou na imigração de mais de 2 milhões de habitantes para os países vizinhos e Europa. Somente a Líbia, que tinha então 4 milhões de habitantes, abrigou 1 milhão de refugiados desde o início dos combates. Outros 1 milhão de sírios rumaram à Turquia e em seguida à Europa, advindos do Mar Mediterrâneo ou da fronteira Búlgara. A Hungria e a Áustria já iniciaram a construção de muros para evitar o fluxo migratório.

No estado de Gujarat, na Índia, desde o início dos anos 2000, o histórico de repúdio aos cidadãos muçulmanos e hindus ocasionou a segregação destes povos entre bairros diferentes.

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Gênero

Londres, o anúncio da criação de um vagão de metrô só para as mulheres chocou a população em geral. É mesmo assim que se resolvem os 1.399 casos de assédio sexual ocorridos nos trens em 2014? Separar não é a melhor estratégia. O homem não é um animal com instintos descontrolados que vai atacar as mulheres. A mulher, por sua vez, não é obrigada a se vestir ou a se comportar de determinadas maneiras. Muito menos é obrigada a ter opções mais escassas de transporte simplesmente para evitar algo que, em primeiro lugar, não deveria acontecer.  E o que aconteceria se uma mulher que quisesse viajar nos demais vagões fosse abusada? Daria respaldo à população para dizer que ela estava no lugar errado.

Por outro lado, a mais de 10 mil quilômetros de distância, está o Rio de Janeiro, que adotou a prática do vagão rosa nas suas linhas de metrô. O que acontece? A solução que deveria aliviar as mulheres e os casos de abuso nos trens não é sequer respeitada pelos homens. Nas horas de pico, muitos homens invadem o vagão feminino, que não tem fiscalização em algumas estações, e não há punição para os infratores. No fim das contas, a única mudança foi a cor do vagão.

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Política

O chamado “muro da paz” construído na capital da Irlanda do Norte, Belfast, separa os bairros Católicos dos Protestantes. O primeiro grupo é composto pelos nacionalistas, que defendem a manutenção da Irlanda do Norte, enquanto o segundo defende a reintegração da Irlanda ao país. Recentemente transformado em ponto turístico, o contraditório muro da paz foi construído para amenizar eventuais conflitos entre ambos os grupos, e tem hora para abrir e fechar: às 18h, já não é possível atravessar para o outro lado.

Recentemente, um acordo criado entre as Coreias do Norte e do Sul permitiu que cidadãos de ambos os países se candidatassem para rever familiares que não viam há mais de 60 anos, depois que a guerra separou ambos os países (e muitas famílias). Os poucos escolhidos puderam ter visitas de 4 horas, supervisionadas pelos agentes do governo, durante três dias. O adeus foi doloroso e outros candidatos esperam para terem a mesma experiência no próximo ano.

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Gabriela Ventura Gabriela Ventura

Natural de São Paulo, estudante de Publicidade e Propaganda na USP. Não tem hobbies fixos nem rotina, é apaixonada pelo imprevisto. Foi fazer intercâmbio em Lisboa e... estendeu a estadia por tempo indeterminado.

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