Por que os brasileiros sofrem preconceito no exterior

Os países estrangeiros onde os brasileiros mais sofrem preconceitos. Veja também depoimentos de quem já sofreu com isso. 

Por que os brasileiros sofrem preconceito no exterior
Saiba quais os preconceitos mais frequentes sofridos por brasileiros no exterior

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Quando viajamos para o exterior – seja para morar ou visitar – temos na cabeça muitos planos e o desejo de ser bem recebido no país de destino. Na grande maioria dos lugares, os brasileiros são pessoas queridas e se sentem acolhidos pela população local. Mas infelizmente sabemos que a xenofobia – preconceito contra estrangeiros – existe e nós também não escapamos dela. Somos conhecidos pela nossa alegria, facilidade em fazer amigos e pela vontade de nos divertir e “enturmar” com os nativos. Mas essas são somente as nossas qualidades que são exaltadas. Alguns defeitos e características que são tidas como negativas do nosso povo também são conhecidas, e muitas vezes somos estereotipados por elas.

Que tipo de preconceito os brasileiros sofrem?

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  • Barulhentos – É uma característica dos brasileiros falar alto, falar todo mundo ao mesmo tempo, com uma ênfase que é bem nossa. A nossa alegria e calor humano muitas vezes se converte em barulho, e como em muitos países (especialmente os nórdicos e asiáticos) a população é mais calma e conversa mais baixo, o volume das nossas falas e risadas costumam incomodar. E vale ressaltar: não somos só nós que sofremos preconceitos pelo tamanho do barulho que provocamos ao chegar, muitas outras nacionalidades têm a veia barulhenta semelhante à nossa, como os italianos e espanhóis.
  • Desonestos, malandros – Sabe o jeitinho brasileiro? Essa fama já chegou ao exterior e com um caráter muito negativo e generalizante. Furar filas, tentar burlar impostos e tarifas, tentar se dar bem frente às demais pessoas são atitudes vistas com muito desprezo no exterior. Muitas ações que para nós são tão corriqueiras e que já se tornam normais são vistas como absurdas no exterior.
  • Mulheres “liberais”, “fáceis” – As mulheres brasileiras são mundialmente conhecidas por serem bonitas, sensuais, corpos com curvas, já associados às praias do Rio de Janeiro e ao Carnaval. Mas junto a essa imagem, vem a noção de que toda mulher brasileira gosta muito de sexo e por isso é mais liberal, mais fácil de se convencer a ter uma relação sexual, o que irrita muitas brasileiras que moram no exterior. A associação de que a mulher brasileira vai para países da Europa e para os EUA para se prostituir também é muito comum.

Mas por que têm essa visão do brasileiro no exterior?

Por mais que todo preconceito seja infundado e não tenha justificativa, existem origens para esses estereótipos criados sobre a nossa população. E a mais notável e recorrente delas é: precedentes.

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  • Brasileiros que foram ao exterior em visita ou para residir e que deixaram contas a pagar, tentaram dar golpes financeiros, alugaram imóveis e foram embora sem quitar as dívidas e cometeram ações desonestas nos países por onde passaram, deixaram de nós uma imagem negativa de malandragem. E má fama se espalha fácil, por isso muitos estrangeiros generalizam e pensam que todo brasileiro é desonesto e tenta se dar bem em cima das demais pessoas.
  • Houve no passado um grande número de mulheres brasileiras, que qualquer que seja o motivo, foram para países desenvolvidos e ganharam a vida como garotas de programa. Hoje ainda há, mas em número muito menor. E é daí que vem a associação da mulher brasileira como prostituta ou como mulher fácil.
  • Em relação ao barulho, somos mesmo um povo barulhento, é o nosso jeito de ser e somos barulhentos desde sempre. Se isso incomoda os demais, paciência. Temos de respeitar a cultura do país onde estamos, nos locais onde são exigido silêncio. Fora isso, não podemos mudar uma característica nossa que não prejudica ninguém.

Veja: Síndrome do regresso, o drama de voltar de um intercâmbio

Há mais preconceito nos países onde há mais brasileiros

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Os países onde mais sofremos preconceito é onde há maior número de brasileiros, numa associação lógica. O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010 demonstrou a dificuldade que é apontar o número exato de brasileiros que residem no exterior. O IBGE calculou que há 491.243 mil brasileiros residentes em 193 países do mundo. Dois anos antes, o Ministério das Relações Exteriores havia apontado que seriam 2,5 milhões de brasileiros no exterior, um número muito discrepante.

Segundo os especialistas, o número do MRE seria uma estimativa, pois o número de brasileiros morando sem registro oficial é grande, e os filhos dos brasileiros nascidos no exterior não são contabilizados por falta de sincronia de informação entre os consulados.

Onde os brasileiros residem no exterior  

1. Estados Unidos (23,8% do total)

2. Portugal (13,4% do total)

3. Espanha (9,4% do total)

4. Japão (7,4% do total)

5. Itália (7,0% do total)

6. Inglaterra (6,2% do total)

Os 6 países citados acima representam 70% do total de brasileiros imigrantes, os demais estão espalhados em outros 187 países.

Nos EUA

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É nos Estados Unidos que está a maior parte dos brasileiros que vão, em sua maioria, em busca de trabalho. As opiniões quanto a preconceito com brasileiros são divergentes, alguns brasileiros que lá moraram ou moram se dizem muito bem acolhidos, enquanto outros se sentiram discriminados pela sua nacionalidade.

O preconceito dos americanos não é voltado para a nacionalidade brasileira, o principal alvo das ofensas xenofóbicas são os imigrantes árabes, islâmicos e indianos. Os imigrantes latinos são, de uma forma geral, reconhecidos como trabalhadores de profissões subalternas, como empregados domésticos, trabalhadores de restaurantes e de fábricas. A comunidade brasileira nos EUA é grande, forte e já bem estabelecida no país.

Jane Resende trabalha na Microsoft desde 1999 e hoje já se sente muito bem recebida no país, mas sente o drama de ser latina em um cargo elevado. “Quando cheguei, era recepcionista de um salão de beleza brasileiro, onde trabalhava para terminar meus estudos. Hoje quando digo que sou manager [gerente] do setor onde trabalho e gerencio diretamente mais de 300 pessoas, muitos americanos se demonstram surpresos pela minha nacionalidade. Já me importei muito com isso, hoje levo numa boa pois sei que é um estereótipo e na maior parte das vezes eles não falam por mal”, defendeu ela.


Em Portugal

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Portugal é um país que recebeu (e ainda recebe) muitos imigrantes brasileiros especialmente pela facilidade da língua. A imigração para Portugal foi maior durante as décadas de 80 e 90, quando o país não se encontrava na crise financeira que hoje enfrenta. Mesmo em crise, ainda há muitos brasileiros que imigram para o país seja para estudar ou trabalhar. Os estereótipos citados acima, de desonestos e mulheres fáceis, infelizmente foi relatado por brasileiros que moraram ou moram no país.  

Rebeca Marcos, brasileira de Cuiabá, fez intercâmbio em Portugal entre 2010/2011 e sentiu na pele a discriminação. “Andando pela Rua de Cedofeita, um senhor de aproximadamente 60 anos, teve a ousadia de chegar por trás de mim e sem pudor algum 'meter a mão na minha bunda'. Ao abordar os policiais que estavam na mesma rua, Rebeca relatou que eles não a ajudaram e ainda trataram com naturalidade a ação do senhor e disseram: 'Mais uma brasileira para puta em nosso país' .
 

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Francielle Pimenta, estudante de intercâmbio em Roma, disse ter se sentido acanhada em Portugal, onde esteve visitando. “Enquanto eu e minha amiga estávamos caminhando e conversando, os homens mexiam de uma forma muito constrangedora quando escutavam nosso sotaque. Tanto que chegou um momento que era tão insuportável que nos ficávamos conversando em italiano para não chamar tanta atenção”, admitiu ela.

O número de prostíbulos em Portugal com garotas de programa brasileiras foi muito grande no passado e ainda existe, em menor número, no presente. Os preconceitos desse tipo são mais freqüentes na população idosa, em especial nas mulheres idosas, que enxergam as brasileiras como destruidoras de lares, porque muitos portugueses abandonaram suas famílias para casarem com brasileiras.
 

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Alguns outros brasileiros relataram que tiveram dificuldades para alugar imóveis em Portugal, já que os donos diziam “não alugar para brasileiros por medo de calote” ou exigir meses de aluguel adiantados.

Na Itália

Assim como Portugal, na Itália nos consideramos e somos considerados como “pátria irmã”, pois temos raízes nesses países devido à colonização e imigração. Mas onde há muitos brasileiros, há muito estereótipo quanto à nossa cultura. Na Itália não é diferente.

Fernando Soares*, brasileiro de Minas Gerais, teve problemas ao tentar alugar um imóvel em Milão. “Ao fornecer meus dados cadastrais à funcionária da agência imobiliária, que incluia cópia do passaporte, ela disse que seria necessário falar com seu superior, pois havia uma questão sobre a qual não sabia como proceder. Ao retornar da sala de seu superior, a funcionária disse-me que seria necessário que se fizesse um depósito referente a seis meses de aluguel. Então perguntei o porquê de tal cifra, uma vez que na  documentação somente era solicitado depósito de um mês de aluguel adiantado. Foi-me explicado que naquela agência havia acontecido vários casos de inadimplência por brasileiras (prostitutas, com disse o senhor em questão), e que para aqueles nascidos no Brasil, a regra era outra.”

A indignação de Fernando foi grande pois a generalização de toda a população brasileira como inadimplente é um preconceito. Ele precisou argumentar e até ameaçar um processo contra a seguradora para conseguir o aluguel do imóvel.

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Na Inglaterra

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Na terra da rainha, o povo inglês é conhecido por ser muito cortês e educado. No entanto, sabemos que existem pessoas preconceituosas em todo lugar. Precisamos ressaltar que entrevistamos muitos brasileiros para conseguir depoimentos para esse artigo, a maioria deles disseram não ter tido problemas morando na Inglaterra.

A brasileira Bárbara Mendonça* não teve tanta sorte. Em visita a Londres, ela e uma amiga chegaram com muitas malas e um senhor inglês ofereceu-lhes ajuda.  “Ele perguntou de onde éramos, e dissemos que éramos brasileiras. Mais tarde, já altas horas da noite, ele foi ao nosso quarto e bateu forte na porta, insistentemente dizendo que queria ver as brasileiras. Ficamos com tanto medo que empurramos o guarda roupa pra frente da porta. Depois de muito insistir, ele disse pra uma de nós bater no quarto dele depois, pra se divertir um pouco. Foi muito assustador.” O estereótipo da brasileira “fácil e liberal” fez com que esse inglês acreditasse que uma das meninas iria até o quarto dele.

O estereótipo da “malandragem” também foi sentido por Aline Souza*, estudante de intercâmbio em Cambridge. “Cambridge é uma cidade que recebe muitos estudantes de diversas nacionalidades. Em uma boate que eu costumava ir com amigos, aceitavam a cópia do passaporte de todas as nacionalidades, exceto as latinas. Lá todo mundo andava com a cópia porque é mais prático e por medo de perder o passaporte. Muitos estudantes estrangeiros chegavam nessa boate sabendo que aceitavam a cópia ou a identidade do país de origem (como em todos os outros lugares) e tinha que voltar pra casa, pois se fosse latino a "regra" não era aplicada. A justificativa utilizada era que existiam muitas falsificações nos documentos dessas nacionalidades.

*Os nomes dos brasileiros que pediram para não serem identificados foram substituídos por pseudônimos.

Precisamos reforçar que para conseguir tais depoimentos foram entrevistados diversos brasileiros que residem ou residiram no exterior. Muitos deles – em alguns casos como dos EUA e Inglaterra  disseram nunca terem sofrido nenhum preconceito por serem brasileiros. Infelizmente alguns sentiram, e selecionamos os depoimentos que representaram os atos discriminatórios mais freqüentes para mostrar que a visão que se tem de nós, no exterior, tem também seus pontos negativos.

Brasileiro: samba e futebol

Outra fala recorrente dos nossos entrevistados foi quanto ao estereótipo de que todo brasileiro sabe sambar e joga futebol. A cor da pele também é questionada. Muitos brasileiros de pele clara e características caucasianas são recebidos com surpresa no exterior, pois muitos estrangeiros pensam que somos mulatos de traços africanos e indígenas. Esses estereótipos incomodam muitos brasileiros, mas não chegam a ser um preconceito e sim falta de informação quanto à diversidade do nosso país.

Somos um povo querido

Apesar dos preconceitos que rodam mundo a fora, sobre nossas características, a maior parte dos estrangeiros incluindo aqueles dos países citados acima com depoimentos negativos, gostam de receber brasileiros. Eles admiram nossa alegria, nosso calor humano e nossa diversidade. É muito comum ao dizer que somos brasileiros, sermos recebidos com um sorriso: “Brasil! Terra linda, quero muito conhecer!”.  O fato de sermos muito receptivos aos estrangeiros também conta a nosso favor. Quem já esteve no Brasil normalmente quer voltar pela boa vontade do brasileiro em receber bem os estrangeiros.

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Ana Luiza Fernandes Ana Luiza Fernandes

Ana Luiza Fernandes é brasileira, natural de Minas Gerais, formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e hoje cursa Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, Portugal. Possui trabalhos na área de Jornalismo Cultural, Fotografia, Documentário e Assessoria de Imprensa e é apaixonada pela profissão desde criança.

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