Qual é o perfil do brasileiro que está emigrando?

O perfil do brasileiro que mora no exterior mudou muito. Conheça as características nos nossos emigrantes e as razões para tais mudanças.

Qual é o perfil do brasileiro que está emigrando?
Conheça o novo perfil do brasileiro que mora no exterior

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O perfil do brasileiro que emigra para o exterior está mudando já há alguns anos e agora torna-se mais consolidado. Enquanto na década de 90 a maioria dos brasileiros que se mudavam para o exterior era da classe média baixa e procuravam trabalhos com baixo nível de instrução necessário, hoje em dia esse perfil mudou muito.Conheça o novo perfil do brasileiro no exterior e as razões dessa mudança.

O novo perfil do brasileiro que mora no exterior

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Os brasileiros emigrantes de hoje são mais instruídos

A emigração brasileira alcançou os maiores níveis da história no fim da década de 80 e em toda a década de 90 quando o país enfrentava situação econômica e política instável. Os mais afetados por essa instabilidade foram aqueles que procuraram abrigo nos países estrangeiros, principalmente nos Estados Unidos. A maioria dos emigrantes brasileiros que entraram nos EUA, em Portugal e na Espanha (os países que mais recebem brasileiros desde sempre) eram de classe média baixa e possuiam pouca instrução. Os cargos que eles mais ocuparam nessa época estavam ligados à faxina e limpeza urbana, comércio, restaurantes e construção civil (para os homens em cargos de pedreiro), por exemplo. Eram pessoas que saiam, principalmente, do estado de Minas Gerais (em especial da cidade de Governador Valadares), da região nordeste e também do Rio de Janeiro.

O perfil do brasileiro que emigra para outro país, de 2002 até os dias de hoje, mudou muito. Atualmente, os brasileiros que mais procuram residência no exterior vêm dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná – regiões economicamente mais ricas. O grau de instrução também mudou muito, hoje em dia 67% dos brasileiros que saem do país possuem ensino superior (completo ou incompleto) e, apenas 12% não possuem o ensino médio completo, segundo dados do IBGE de 2013.

Os motivos que fazem os brasileiros quererem mudar de país

A classe proveniente varia de acordo com o país

O maior número de brasileiros residentes no exterior está nos Estados Unidos, e a realidade do brasileiro que vai para este país mudou, mas a classe social não. Segundo o economista e autor do livro “Brasileiros na América”, Álvaro Lima, a classe de pessoas que vão para os Estados Unidos ainda é a classe média baixa, a classe C. “O emigrante brasileiro que vive nos Estados Unidos tem um perfil diferente do de outros latinos, como os vindos do México e de países centro-americanos. O brasileiro costuma ter mais escolaridade, muitas vezes, ensino superior e vem de centros urbanos. Foi assim na fase inicial da imigração nos anos de 1980 e continua assim atualmente” afirmou Lima.  Por mais que possuam maior qualificação, os brasileiros que se mudam para os Estados Unidos ainda ocupam postos de trabalho em atividades que não exigem tal nível de instrução, como no setor de comércio, serviços e limpeza.

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Na Europa, a situação é um pouco diferente. O perfil do brasileiros também é mais instruído do que aqueles que começaram a imigração da década de 80 mas, muitas vezes, os brasileiros que chegam na Europa costumam, pelo menos nos primeiros anos de residência, sofrer a chamada “descensão social”. A brasileira Yara Evans, atual professora da Open University e pesquisadora da Queen Mary, Universidade de Londres, aponta o fenômeno no qual ela mesma sentiu na pele: ao chegar na Inglaterra, mesmo com diploma em História na Unicamp, trabalhou como arrumadeira e garçonete. Os brasileiros que mais chegam para a Europa são provenientes de classes mais abastadas (média alta e alta)  do sul e do sudeste, com maioria do Estado de São Paulo e Paraná e, 70% deles tinham pelo menos começado um ensino superior no Brasil. A barreira da língua deixa muitos brasileiros em cargos inferiores ao seu nível de instrução nos primeiros anos no exterior.

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A intenção ao se mudar para o exterior também mudou

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No processo migratório dos anos 80/90, a principal razão dos brasileiros irem para o exterior era para “fazer fortuna”, ganhar dinheiro a todo custo (não importando a profissão que se encaixasse) e também mandar dinheiro para o Brasil. Muitos imigrantes iam com data prevista de volta, era comum ouvir: “Vou morar fora por 5 anos, juntar dinheiro para comprar uma casa, um carro, fazer uma poupança e voltar para o Brasil”. A intenção financeira era muito forte, quando não era exclusiva.

A intenção ao se mudar para o exterior também mudou.  O relatório Diversidades de Oportunidades: Brasileir@s no Reino Unido, 2013-2014 mostrou uma realidade frequente no perfil do brasileiro que emigra: o brasileiro que emigra para Europa vem atrás de uma experiência de vida, não somente atrás do dinheiro. Apesar de ainda haver muitos que vão para o exterior com as mesmas intenções de antigamente, os estudos mostram que eles já não são a maioria. Nos Estados Unidos não é diferente. Apesar dos nossos compatriotas sofrerem com a descensão social de maneira mais intensa dentro do país, “vemos um número crescente de brasileiros que chegam em busca de qualidade de vida e que temem a violência urbana no Brasil”, argumento Álvaro Lima.

A intenção de fixar moradia já divide as opiniões de quem mora fora. Antigamente, quase a totalidade dos brasileiros anseavam voltar para o Brasil, hoje esse número já está em 50,5% para os emigrantes que vivem na Europa e 62,5% dos emigrantes que vivem nos Estados Unidos. Os estudos apontam que os brasileiros têm se integrado melhor nas comunidades estrangeiras dos países onde vivem do que antigamente, quando era comum brasileiros conviverem somente dentro das comunidades latino americanas e estarem praticamente excluídos das sociedades nativas.

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Por que os brasileiros já não querem voltar pro Brasil?

Os motivos são muitos e os principais já foram aqui mencionados:

  • Situação ecônomica e política conturbada que o Brasil tem vivido do princípio de 2014 para cá
  • Violência vivida nos grandes centros do Brasil
  • Maior adaptação e integração às comunidades locais
  • O maior nível de instrução dá a possibilidade de ingressar em carreiras estáveis no exterior, apesar da descensão social vivenciada nos primeiros anos de exterior
  • Maior conhecimento do mundo – graças à internet e a melhoria da condição social dos brasileiros, eles têm mais informações sobre o mundo, muitos já viajaram para o exterior e sentem vontade de vivenciar uma vida num país diferente do seu. Antigamente, essa possiblidade nem passava na cabeça de grande parte dos brasileiros.

Se você ainda não acredita nestas perspectivas, confira os nossos artigos sobre os motivos que fazem os brasileiros irem para o exterior e não quererem mais voltar, na realidade dos seguintes destinos:

Portugal
Inglaterra
Irlanda
Canadá
Austrália
Estados Unidos (na perspectiva do Intercâmbio)

O estudo tem papel determinante na mudança do perfil do brasileiro emigrante

Os avanços conseguidos na educação e no crescimento da classe média no país foram determinantes para a mudança do perfil. A escolarização e a conquista de um ensino superior, que na época da imigração de 80/90 eram restritas às classes abastadas do país, agora também é realidade para as classes baixa e média baixa. Graças a programas governamentais e privados que concedem bolsas  de estudo, o número de brasileiros que fizeram intercâmbio para estudar no exterior cresceu cinco vezes em nove anos, segundo pesquisa realizada pelo portal G1 em 2014. Ao estudar e conhecer outros países, muitos brasileiros despertam o interesse em ficar no estrangeiro ou voltar após terminar os estudos no Brasil.

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O cônsul do Brasil em Atlanta (EUA), Hermano Telles Ribeiro, disse à Agência Brasil que “Há, mesmo que em menor proporção, uma parcela de brasileiros que deixam o país em busca de carreira acadêmica ou são convidados por grupos de multinacionais e empresas norte-americanas. Alguns brasileiros vêm estudar por um tempo ou por um contrato de trabalho e acabam se estabelecendo definitivamente aqui”. Nos países europeus (Portugal, Espanha e Reino Unido) a história se repete.

As mulheres são maioria

Ao contrário do que se registrava no perfil do brasileiro emigrante das décadas de 80/90 – que eram homens solteiros em busca de trabalho – os emigrantes brasileiros que mais se destacam são na verdade brasileiras. Elas são 58% dos emigrantes brasileiros, são mais instruídas, mandam mais dinheiro para o Brasil e são também as que mais se integram nas comunidades estrangeiras. O número de brasileiras que se casa e/ou fixa residência no exterior é maior do que o número de brasileiros.

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O perfil do brasileiro emigrante em cada país

Por mais que seja possível reunir características do perfil do brasileiro emigrante na atualidade, em cada país existem particularidades que valem a pena ser notadas. Separamos aqui estudos, pesquisas e censos dos brasileiros imigrantes nos países: EUA, Portugal, Espanha e Reino Unido, que é onde se encontram grande parte dos imigrantes do nosso país.

Nos EUA

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Veja dados da pesquisa realizada pela socióloga Ana Cristina Braga Martes, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo que estudou durante mais de uma década a emigração brasileira para os EUA. Os dados são da pesquisa da socióloga realizada são de 2005 a 2008:

  • A maioria dos emigrantes brasileiros que vão para os EUA tendem a não voltar mais para o Brasil, diante das más notícias referentes à violência e corrupção no país.
  • Cresceu o número dos emigrantes que saem de São Paulo e do Sul, justamente a região mais rica do Brasil, mas ainda são maioria a classe C.
  • Os atuais emigrantes brasileiros nos EUA são hoje são homens e mulheres, solteiros e casados em proporção equiparada.
  • A maioria dos emigrantes, 90%, têm entre 21 e 45 anos.
  • A maioria dos brasileiros possuem o ensino superior incompleto ou completo em instituições não reconhecidas nos Estados Unidos e têm dificuldades em disputar vagas no mercado de trabalho americano. Causa principal da descensão social do brasileiro nos Estados Unidos.

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Em Portugal

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O estudo “Vagas Atlânticas: Brasileiros em Portugal” realizado entre novembro de 2007 e janeiro de 2011 também apontou mudanças no perfil dos brasileiros que chegam em Portugal:

  • 84% dos emigrantes brasileiros que vivem em Portugal têm entre os 20 e 44 anos e 57% são do sexo feminino.
  • 50% dos entrevistados disseram possuir o segundo grau e mais de 20% o nível universitário completo.
  • A maioria dos emigranes é oriunda do estado de Minas Gerais, seguido pelos estados de São Paulo e Paraná, respectivamente.
  • 30% dos entrevistados disseram ter um companheiro(a) de nacionalidade brasileira, por outro lado, mais de 20% das mulheres brasileiras entrevistadas disseram ter um companheiro de nacionalidade portuguesa.
  • 34,1% dos emigrantes pretendem voltar para o Brasil; 30,2% ainda não sabem; e 17,2% tencionam permanecer em Portugal.
  • Brasileiras relatam com maior frequência situação de discriminação do que os brasileiros.

Por que os brasileiros sofrem preconceito no exterior

Na Espanha

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O demógrafo e professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Minas Gerais, Duval Fernandes, realizou pesquisa com 404 brasileiros que residem em Madri entre os meses de março e julho de 2007 e obteve as seguintes respostas:

  • 80% estavam em situação irregular.
  • 70% tem segundo grau completo e 18% possuem superior completo.
  • A faixa etária de entrada no país é entre 27 e 28 anos para os homens, e 26 e 27 anos para as mulheres.
  • 63% são do sexo feminino e 37% do sexo masculino.
  • Em média, pretendem ficar entre um ano e um ano e meio. Muitos acabam ficando mais, sendo que 23% já tencionavam fixar residência.
  • O preconceito contra brasileiros, em especial contra mulheres, é claríssimo.

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No Reino Unido

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Segundo o já mencionado estudo Diversidades de Oportunidades: Brasileir@s no Reino Unido, 2013-2014, constatou que o perfil do brasileiro emigrante para lá teve mudanças significativas:

  • Maior nível de instrução: três quartos dos entrevistados (73%) afirmaram ter pelo menos iniciado o nível superior no Brasil antes de emigrar ao Reino Unido.
  • Maior apreço pela qualidade e experiência de vida, proveito de uma nova cultura e também pelo idioma. A maior parte dos emigrantes entrevistados disse ter deixado o Brasil em busca de uma experiência de vida/cultural (34%), seguida por quem saiu do país para fazer um curso de idioma. Apenas 17% afirmaram ter emigrado para ganhar dinheiro e voltar para o Brasil.
  • Em paralelo, o governo britânico tem apertado o cerco contra os emigrantes ilegais, normalmente pessoas de baixo poder aquisitivo que vêm ao Reino Unido única e exclusivamente com o objetivo de ganhar dinheiro.
  • Estima-se que haja entre 80 mil e 300 mil emigrantes brasileiros no Reino Unido, incluindo aqueles que estão em situação irregular ou possuem dupla cidadania. A imensa maioria vive na Inglaterra e no País de Gales, principalmente na capital britânica, Londres.
  • A maioria tem entre 30 e 39 anos é casada (67%) e não tem filhos (55%).
  • Sudeste e Sul continuam sendo os principais polos de saída dos brasileiros, com destaque para São Paulo, de onde vem um terço de todos os emigrantes (31%).
  • 22% disseram possuir um passaporte europeu por união, 11% receberam visto de trabalho e residência, 8% são estudantes e 5% disseram estar no país sem visto. Apenas 1% disse permanecer no país com um visto de turista.
  • A descensão social é uma realidade: um quarto dos entrevistados exercia atividades relacionadas ao setor de negócios/administração, seguido por serviços ao consumidor (12,2%) e limpeza (11.9%).
  • Mais da metade disse estar casada com brasileiros (52%), um terço relatou serem seus cônjuges ou companheiros de origem britânica (31%).
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Ana Luiza Fernandes Ana Luiza Fernandes

Ana Luiza Fernandes é brasileira, natural de Minas Gerais, formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e hoje cursa Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, Portugal. Possui trabalhos na área de Jornalismo Cultural, Fotografia, Documentário e Assessoria de Imprensa e é apaixonada pela profissão desde criança.

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