Na contramão da economia verde

Na contramão da economia verde

Transporte urbano versus economia verde
  • Transporte urbano versus economia verde: os bons ventos da economia brasileira estão a favor da economia verde e de um transporte público sustentável?

Nos últimos anos, o número de automóveis nas ruas do país quase dobrou. Com a fase favorável da economia nacional, e com a redução das taxas de juros e das taxas sobre produtos industrializados, várias fábricas de veículos instalaram-se no Brasil e a venda de automóveis atingiu patamares inéditos.

 

Outro fator que tem estimulado as vendas de automóveis, são as facilidades e as vantagens que o mercado oferece, com os consórcios de carros e financiamentos em até 80 meses. Somente no primeiro trimestre do ano, foram vendidos quase um milhão de carros.

 

Atualmente, ter um automóvel é um desejo comum para a maioria dos brasileiros. E com a precária situação do transporte público, acaba por ser também uma necessidade. Por isso, o automóvel é o primeiro investimento de muitos brasileiros, que logo que alcançam alguma estabilidade, comprometem parte do orçamento com um consórcio de carro ou financiamento para resolver o problema da mobilidade urbana.

 

Mas se por um lado os bons ventos da economia tem ajudado milhares de brasileiros a realizar o sonho de comprar um carro, por outro lado, rema contra a maré da economia verde, uma tendência mundial.

 

O aumento da frota de carros nas grandes cidades do Brasil, tem piorado consideravelmente os problemas de trânsito. Mesmo com o rodízio de automóveis, a capital paulista vem enfrentando os maiores engarrafamentos da história da cidade, atingindo quase 300km de congestionamento. Isto, sem falar nas dificuldades em encontrar espaços para estacionar. Outro aspecto negativo do aumento da frota de carros, é o maior nível de poluição sonora e do ar, e o aumento da quantidade de acidentes. 

 

 

TRANSPORTE URBANO A FAVOR DA ECONOMIA VERDE

Conscientes em relação aos princípios da economia verde, que visa a melhoria do bem estar social e humano, com o menor impacto possível no meio ambiente, reduzindo os riscos e a escassez ecológica, algumas camadas da sociedade civil têm buscado alternativas para que os condutores possam e queiram deixar o carro na garagem. 

 

O fato é que o planejamento de trânsito das cidades não deve ser moldado para atender ao contínuo crescimento da frota de carros nas ruas, mas deve sim estar focado em soluções permanentes, que priorizem o transporte urbano coletivo.

 

Em 2001, o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, aprovou um orçamento de mais de 21 bilhões de reais para melhor a infra-estrutura do transporte urbano, principalmente para investimento em linhas de metro, mas até hoje poucos projetos foram implementados.

 

Infelizmente, ainda são poucas as capitais brasileiras que contam com metrô e, mesmo nestas, a extensão das linhas é muito limitada. As ciclovias também são raras, o que acaba por boicotar os incentivos feitos pelo próprio governo para que se adote as bicicletas como meio de transporte dentro das cidades. Por enquanto, as opções mais seguras em prol da sustentabilidade ambiental e economia verde ainda são os rodízios de caronas com os colegas, ou para distâncias reduzidas, ir a pé.

 

A solução seria aproveitar a boa fase do crescimento econômico para apostar efetivamente num transporte urbano público funcional e eficiente, com investimento em infra-estrutura e tecnologias de gestão de trânsito aliadas aos preceitos da economia verde. 

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