Ainda vale a pena investir em imóveis? Veja o cenário para 2016

O que você precisa saber sobre investir em imóveis em 2016: panorama imobiliário, oportunidades e opções de investimentos alternativos. 

Ainda vale a pena investir em imóveis? Veja o cenário para 2016
Investir não: comprar à vista e alugar são boas opções.

Quem fechou 2015 com dinheiro na caderneta perdeu poder de compra. Enquanto a poupança encerrou o ano em 7,29%, a inflação ficou em 9,62%. Numa comparação simples, o investidor da poupança “perdeu” 2,33% do que estava investido. Isso estimulou muitas pessoas a alterarem a sua forma de investir em 2016. Mas será que investir em imóveis é a melhor solução?

Investir em imóveis: o cenário econômico

Antes da crise, quando o setor imobiliário estava aquecido, com a taxa básica de juros baixa o poder de compra, a oferta e a demanda de imóveis novos cresceu muito. Investidores não precisavam de tanta pesquisa e “seguiam a manada”. Onde havia um empreendimento numa grande cidade, havia compradores que poderiam financiar o imóvel ou pagar à vista. Mas então as coisas mudaram.

Investir em imóveis vai requerer muito mais pesquisa e prospecção de quem quer comprar para vender ou alugar. O investidor terá que olhar a ponta da cadeia: onde estão comprando, em que cidades e regiões e qual é o poder de compra dessa população. Se antes era só comprar na planta e esperar uma valorização de até 100% com quase certeza de vender logo após a entrega, hoje a história é diferente. Quem vai investir em imóveis deve analisar o mercado. Por quê?

Porque a taxa de aquisição de imóveis subiu muito depois da facilitação do crédito, no pico do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – que estimulou tanto as construtoras quanto o crédito. Muita gente conseguiu a casa própria na planta e quem investiu naquela época já arranjou compradores e inquilinos. Hoje, a concessão do crédito é mais restrita. A taxa básica de juros do país aumentou e elevou consigo os juros bancários. A inadimplência subiu e restringiu a concessão de crédito.

De fato, uma pesquisa realizada pelo site VivaReal constatou que 48% dos consumidores que adquiriram um imóvel para aluguel ou compra pelo site, conseguiram descontos que variavam entre 5% e 30% em relação ao preço anunciado. Em 58% das negociações de venda, o desconto obtido foi de 10%. E mais: 17% dos compradores que negociaram obtiveram descontos de 15%. 9% dos compradores conseguiram descontos de 15% a 20%, 4% negociaram preços de 20% a 30% menores que o anunciado e cerca de 5% dos compradores conseguiram negociar 30% ou mais do valor do imóvel.

Já para o aluguel, a relação é outra: 27% dos usuários do site conseguiram descontos de 15%. 10% obtiveram preços de 15% a 20% inferiores ao anunciado, 7% chegaram entre 20% a 30% a menos na negociação e outros 10% conseguiram alugar o imóvel por 30% a menos do que o preço negociado.

Dá para perceber que a notícia é boa para quem vai comprar (mas à vista, já explicamos) ou alugar um imóvel. Mesmo que o investidor consiga inquilinos, ele vai ter que baixar o preço por conta da queda na demanda.

Financiamento imobiliário

Quem ia financiar a casa própria prefere segurar a barra. Aliás, nem é aconselhável contratar financiamento imobiliário com mais de 120 meses durante a crise. Um estudo publicado pela Prospecta Inteligência Imobiliária em parceria com a Época Negócios fez um estudo com 99% dos municípios com menos de um milhão de habitantes e elaborou um ranking de atratividade para investimento imobiliário. Os critérios analisados foram renda per capita, potencial da população para investir em imóveis de alto, médio e baixo padrão e déficit habitacional.  

É por isso que investir em imóveis não é tão favorável agora. Poucos têm para pagar à vista e quem poderia financiar vai conter o desejo por motivações próprias ou por restrições de crédito dos bancos. Quando as construtoras baixam o preço, significa que a procura não é tão grande. E se nem as construtoras são capazes de vender unidades em saldões, talvez o investidor tenha que ficar um bom tempo com o imóvel.

Então o jeito é conseguir um inquilino para ter uma renda extra, não se preocupar em pagar condomínio e contas de um imóvel vazio e manter o patrimônio. Mas quem investe também deve ter em mente que a tendência é que o valor do aluguel sofra uma queda. Geralmente, os aluguéis mensais equivalem a 0,5% do valor do imóvel, raramente ultrapassando os 0,7%.

Comprar a casa própria à vista

Quem tem o dinheiro à vista para comprar a casa própria pode comemorar, porque a fase é favorável. Especialistas em mercados financeiros preveem uma queda de cerca de 10% no preço de imóveis novos. Imóveis vazios dão despesas, e as construtoras preferem negociar condições melhores com o comprador para desovar o estoque. Nos tempos de crise, se dá bem quem paga à vista, porque faz o dinheiro circular de uma vez e não depende do intermédio dos bancos.

O que fazer

Se a situação não está fácil para quem pretendia investir no mercado imobiliário, ter dinheiro na mão abre um leque de possibilidades do que fazer com ele. A maior das apostas está em títulos públicos, pela alta da taxa de juros. Por outro lado, a moeda estrangeira já atingiu o seu boom no ano passado e não promete grandes rendimentos em 2016. Veja o que você pode fazer com o seu dinheiro se investir em imóveis não for uma boa opção.

Fundos

Os Fundos, como o CDB e CDI nada mais são do que o seu dinheiro aplicado e investido por especialistas da instituição financeira. A diferença é que têm taxas pré ou pós-fixadas pelo banco em que o investidor nunca vai sair na vantagem, pois se o ganho do investimento foi alto ou baixo, sempre ficará com o banco – e o investidor ainda tem que arcar com custos de administração do investimento.

Títulos Públicos

Com a taxa de juros alta, uma boa saída é investir em Títulos Públicos. Quem investe nesses títulos, empresta dinheiro ao governo e recebe o valor com uma taxa de juros pré-fixada após o período. Mas é preciso ter paciência para resgatar a médio prazo. A melhor opção é o Tesouro IPCA + (antigo NTN-B). Com resgate para 2019, em dezembro, esse título prometia pagar 7,5% ao ano mais a taxa de inflação. Poucos investimentos são capazes de cobrir essa oferta, mesmo com incidência de IR sobre os rendimentos.

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Moeda

Investir em dólar e euro também pode não ser interessante este ano. Isso porque a alta já ocorreu ano passado, e em 2016, dificilmente o valor subirá ao ponto de fazer com que o investidor tenha muitos rendimentos. Em um momento difícil, pode chegar a bater os R$ 4,20, mas sofrerá uma queda em seguida. Esse tipo de investimento tem alto risco e grandes chances de o investidor não ganhar nada ou até sair perdendo.

Bolsa

É sempre arriscado investir na bolsa em momentos de crise – o investidor pode ganhar muito ou perder muito. A Bovespa fechou o ano de 2015 com queda de 9,77%, mas há empresas que foram beneficiadas pela desvalorização do real e conseguiram se superar, fazendo as suas ações renderem até 50%: é o caso da Braskem, Fibria, Raia Drogasil, Suzano e Klabin.

Como investimento de risco baixo, mas também com pouca oscilação – e pagamentos menos robustos, recomendam-se os papéis da Ambev, Valid, Cielo, BRF e Itaú. A Gerdau, Bradespar, Gol, Oi e Usiminas, por outro lado, registraram as maiores perdas em 2015, maiores do que 60%.
 

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Gabriela Ventura Gabriela Ventura

Natural de São Paulo, estudante de Publicidade e Propaganda na USP. Não tem hobbies fixos nem rotina, é apaixonada pelo imprevisto. Foi fazer intercâmbio em Lisboa e... estendeu a estadia por tempo indeterminado.

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