Grandes marcas que exploram mão de obra

A moda se tornou rápida, barata e descartável. Para o consumidor, a tendência pode até ser positiva, mas por trás das cortinas, o cenário é devastador.

Grandes marcas que exploram mão de obra
No mundo da moda, marcas inimagináveis ainda contribuem para a escravidão.

Já imaginou que as roupas que usa neste exato momento podem ser resultado de trabalho escravo? Ninguém expõe, a mídia não alimenta e panos quentes são frequentemente postos sobre os noticiários, mas a exploração de mão de obra e o consumo desenfreado do mundo da moda acontece bem debaixo dos nossos narizes.

O que você precisa saber sobre a mão de obra escrava

Incluídas cada vez mais nos moldes da fast fashion, grandes grifes e confecções deixaram de oferecer a garantia de que se um produto é caro, ele necessariamente vale mais a pena por durar mais, entre outros fatores. Nessa tendência descartável, grandes nomes como Zara, H&M e Forever 21 investem em um processo onde o setor está a cada vez mais focado em produzir roupas baratas, de baixa qualidade e pouca durabilidade. Consequentemente, exploração e pressão da mão de obra para resultados impossíveis acontecem para suprir carregamentos diários nas lojas.

A exemplo, o começo de todo esse desastre pode ser visto em referências como a Zara, a qual já foi autuada por duas vezes no Brasil - uma em 2011 e outra em 2015 -, por fazer uso de trabalho escravo em suas confecções. Ao todo, foram encontradas 433 irregularidades na marca, incluindo trabalho infantil.

Recentemente, outra gigante da indústria têxtil também foi parar nos noticiários. Desta vez, grupo Riachuelo foi obrigado a indenizar uma costureira da Confecção Guararapes, no valor de R$ 10 mil, mais pensão mensal. Já imaginou qual seria o motivo?

Basicamente, diante de exigências trabalhistas absurdas, a costureira estaria sendo obrigada a cumprir uma meta de colocar elásticos em 500 calças por hora, fora a produção de mil bainhas por jornada de trabalho. A atividade lhe rendia apenas R$ 550 mensais e monitoramentos constantes até para suas idas ao banheiro.

A lista não para: M.Officer, Pernambucanas, Luigi Bertolli, Hippychick, Marisa, Renner, Le Lis Blanc, Bo.Bô e tantas outras também estão envolvidas em escândalos sobre mão de obra escrava e total descaso para com os direitos humanos. Entretanto, sabe qual é a pior parte? É a que todos nós também temos uma parcela de culpa.

Produção em massa vs. Descarte: uma questão humana e ambiental

Em 2015, o cineasta americano Andrew Morgan deu vida a um documento chamado “The True Cost” (o custo real, em tradução livre) onde, após observar no seu dia a dia o desrespeito da indústria trilionária da moda, decidiu reunir e documentar todo o descaso que o consumo desenfreado promove no ambiente e infringe nos direitos humanos e trabalhistas.

Afinal, quanto mais roupas baratas são produzidas, mais se joga fora. E diante da tendência da moda rápida, em ciclos frenéticos, há desperdício em todas as etapas da produção, mas ninguém sabe ao certo onde a massa descartável vai parar. De acordo com Sass Brown, presidente interino da Escola de Arte e Design do Fashion Institute of Technology, em Nova York, o consumidor médio não faz a menor ideia do que acontece ou está para acontecer. Desconsideram o perigo dos químicos dos tecidos encostando em suas peles, o desperdício de matéria prima, o descarte inadequado e as vidas que estão em jogo para produzirem essas roupas.

O marketing está feito, e os preços baixos nos cegaram para as consequências das compras desenfreadas. Porém, como consumidores, fica a reflexão: devemos continuar comprando e nos rendendo à coleções e etiquetas para saciar o ego com produtos dessa procedência? Se a sua resposta for não, resta apenas identificar então quem são os vilões nessa indústria e abrir mão do uso das marcas.

Diante dessa minuciosa responsabilidade de filtrar mocinhos e vilões, a equipe da ONG Repórter Brasil desenvolveu o aplicativo Moda Livre, disponível para Android e iOS, que atua no monitoramento de 77 grifes e varejistas a fim de alertar o consumidor sobre a presença de trabalho escravo e demais irregularidades.

Além do documentário The True Cost já citado anteriormente e disponível no Netflix, existe ainda uma esperançosa onda de documentários e ativismos em prol da sustentabilidade e dos direitos humanos para se inspirar e encontrar a motivação que precisa. Entre eles, destacam-se também o Slowing Down Fast Fashion, documentário produzido pelo baixista da banda Blur, Alex James; e conversas públicas de conscientização já transmitidas pelos programas Saturday Night Live e Last Week Tonight. Vista-se com consciência! Faça a sua parte.

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Heloísa von Ah Heloísa von Ah

Formada em Comunicação em Computação Gráfica e Design de Games, é apaixonada pela profissão que exerce. Uma aficionada por tecnologia, gatos e cinema underground.

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