Entenda o que mais é afetado na crise no Brasil

A crise no Brasil, como qualquer crise econômica, tem efeito dominó: Saiba o que desencadeou e quais as consequências para o brasileiro.

Entenda o que mais é afetado na crise no Brasil
Quando uma pecinha não vai bem, despencam todas juntas

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Uma crise econômica é como um efeito dominó. No capitalismo, se algo não funciona bem, leva consigo todas as pecinhas que compõem o sistema, uma a uma, num círculo vicioso. É o que está acontecendo neste momento com a crise no Brasil. Trabalhadores, investidores, empresários, estudantes e donas de casa, sem exceção, sentem os efeitos de uma retração na economia. Aprenda como começou, qual foi a pecinha do dominó econômico que caiu primeiro e quais as consequências do fenômeno no nosso país.

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Crise no Brasil: como tudo começou

Entre os anos de 2008 e 2009, o Brasil foi favorecido pela crise econômica global com o aumento do preço das commodities. Toda a exportação do país (siderurgia, grãos, frutas) teve um generoso aumento nesse período. O país tinha uma balança comercial com superávit (exportações maiores que importações) e a receita cresceu muito. Conforme os países começaram a controlar as suas crises e a moeda brasileira foi valorizada pelos investimentos no mercado interno, a demanda pelas commodities diminuiu, mas o governo continuou estimulando o crescimento pela redução de impostos como o IPI e a taxa Selic. Naquela época, a taxa de juros girava em torno dos 8% e o consumo estava a todo vapor, sem sinais de que o país sofria os efeitos de uma crise global. Mas era questão de tempo.

Poucos anos depois, vieram as eleições presidenciais. A Petrobras, mesmo antes das investigações de corrupção, já não estava bem das pernas. Durante boa parte de 2014, o governo subsidiou o preço do combustível para conter uma possível alta, mantendo o preço da gasolina nos R$ 2,70 e segurando o aumento também no preço da energia elétrica a fim de conter até depois das eleições o que era inevitável: a inflação. Mas o que a inflação tem a ver com o combustível? Entenda tudo sobre a crise no Brasil e as suas consequências.

Inflação, energia e combustível

Foi a pecinha que desencadeou isso tudo. Por quê? Toda a indústria precisa de energia elétrica para manter o negócio em pleno funcionamento, certo? E precisa também da distribuição dos produtos por todo o país, para chegar até as prateleiras das mais remotas mercearias. Logo, o aumento no preço do combustível e da energia elétrica está intimamente relacionado com a inflação e afeta toda a cadeia produtiva. Quando o produto chega às prateleiras, fica mais caro porque a empresa gastou mais na produção e distribuição. O aumento dos preços dos bens de consumo é medido mês a mês e gera uma taxa a qual chamamos de inflação. Quanto mais caros os mesmos produtos de um mês para outro, maior é a taxa.

E quais são as consequências da inflação?

Basicamente, as empresas terão que gastar mais para produzir seus produtos, os fornecedores também gastam mais e todos terão que segurar a barra no aumento dos funcionários por um tempo. Esse mesmo funcionário, sem aumento, chega às prateleiras do supermercado para comprar os mesmos produtos com o mesmo salário, mas agora gasta mais. Sobra menos para poupar, menos para pagar as contas, menos para gastar em bens supérfluos e o orçamento aperta cada vez mais. O consumo diminui e...

Taxa de juros alta

Como forma de combater a inflação, o governo aumenta a taxa de juros para tirar o dinheiro de circulação. Com a medida do governo, os bancos aumentam também os juros nos empréstimos e financiamentos a fim de manterem os seus lucros recordes a cada trimestre.

Vem o desemprego

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Observando uma queda no consumo, as empresas, que já gastam mais para se manter, precisam cortar funcionários para manter a folha de pagamento em dia e evitar que o preço da produção suba ainda mais. A importação é cada vez mais cara por conta da desvalorização da moeda, que se deve à migração de investimentos do exterior para outros países.

E aí vem o desemprego: quando todos consomem, a mão-de-obra é necessária em toda a cadeia de produção - desde os operários da fábrica até os funcionários da loja que vendem o produto. Quando menos gente consome, a produção cai. E quando a produção cai, menos gente será necessária na cadeia produtiva. Ocorrem as demissões em massa nas indústrias, nas empresas e no comércio.

Gastos do governo

Diante de um cenário crítico, o governo restringe mais o acesso aos benefícios como o seguro-desemprego e muda as regras para a sua concessão. Mesmo assim, recebe uma enxurrada de solicitações e os seus gastos com os cidadãos aumentam consideravelmente num momento em que isso não poderia acontecer. Para evitar mais gastos públicos e tentar se manter longe do endividamento externo, assim como uma família supera a crise, começam pelo corte de gastos supérfluos para manter a sobrevivência. E a educação foi o primeiro deles:

  • O programa Ciência sem Fronteiras foi congelado;
  • O programa Cultura sem Fronteiras, inaugurado pela Marta Suplicy em 2014, desapareceu do site do Ministério da Cultura;
  • O Fies (Financiamento Estudantil) acabou: o Governo Federal não tem mais verba para arcar com novos contratos desde 2015;
  • E isso prejudica o ProUni: bolsistas parciais do programa Universidade Para Todos não poderão mais financiar os 50% restantes com o Fies.

Inadimplência

Sem conseguir guardar dinheiro por causa da inflação, sem ter acesso ao seguro-desemprego pelas novas regras, sem conseguir se reposicionar no mercado e sem chances de se qualificar para conseguir um novo emprego, com juros altos e dificuldade para conseguir um empréstimo, o cidadão desempregado não tem como pagar as suas contas. Com a taxa de juros cada vez mais alta mês a mês, fica cada vez mais difícil imaginar pagá-las. Num cenário macroeconômico, para os bancos, a inadimplência gera cada vez mais dificuldade para a aprovação de empréstimos e financiamentos.

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Mão-de-obra qualificada e barata

Mas os prejudicados não são só trabalhadores experientes. Os estudantes que procuram um estágio e os recém-formados também têm dificuldades para encontrar oportunidades profissionais. Com uma alta competitividade para entrar no mercado de trabalho, tudo vai funcionar como a lei da oferta e da procura: com mais candidatos qualificados disputando a mesma vaga, o poder de barganha das empresas aumenta e elas reduzem o salário para a contratação de mão-de-obra qualificada.

Ame-o ou deixe-o: Migração de cérebros

Sem aceitar salários menores pela sua qualificação e estudo, outra tendência é que os recém-formados procurem oportunidades de emprego no exterior, que já se recuperou da crise. Boa parte da mão-de-obra qualificada terá emigrado, mesmo aquela que o próprio Governo Federal estimulou com bolsas e benefícios já mencionados (ProUni, CsF, FIES).

E não é culpa de quem se beneficiou das bolsas, pois foi o próprio governo que qualificou os estudantes, mas não teve atratividade suficiente para mantê-los ou posicioná-los no mercado de trabalho do país. E a migração de cérebros será mais uma crise quando o Brasil se recuperar da crise econômica, mas é assunto para meados de 2017, previsão que os economistas dão para que o Brasil comece a se reerguer.

Resumindo, o que é afetado pela crise no Brasil?

  • Preço da moeda estrangeira;
  • Preço do combustível e da energia;
  • Preço dos alimentos e bens de consumo;
  • Emprego: acesso e manutenção;
  • Educação: acesso e qualificação profissional;
  • Pedido de empréstimos e financiamentos;
  • Pagamento de dívidas;
  • Migração de mão-de-obra qualificada;
  • Aumento das contas públicas e dívida externa;
  • Redução de salários.
 
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Gabriela Ventura Gabriela Ventura

Natural de São Paulo, estudante de Publicidade e Propaganda na USP. Não tem hobbies fixos nem rotina, é apaixonada pelo imprevisto. Foi fazer intercâmbio em Lisboa e... estendeu a estadia por tempo indeterminado.

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