Doentes e familiares criam clube de doação de remédios

Projeto funciona nas redes sociais para conseguir medicamentos controlados, caros ou de difícil acesso

Doentes e familiares criam clube de doação de remédios
Aposentada criou grupo para ajudar amiga a conseguir remédio que custava R$ 24 mil

Apesar de a prática ser desaprovada por médicos, pacientes e familiares têm recorrido às redes sociais para conseguir remédios controlados e de alto custo. Desesperados, as vítimas de doenças graves resolveram criar grupos no Facebook para trocar e doar medicamentos. Na maioria das vezes são remédios de algum parente que morreu ou de alguém que já finalizou o tratamento.

Em 2012, após uma amiga ser diagnosticada com câncer nos rins, Vera Ligia Buonomo, de 65 anos, aposentada, resolveu criar o grupo “É Dando Que Se Recebe”, no Facebook, poia a amiga precisava de uma medicamento que custava R$24 mil. Hoje o grupo conta com 3,5 mil integrantes que trocar e doam remédios. A amiga acabou morrendo antes de conseguir o remédio, mas Vera resolveu continuar com o grupo. “Acredito que é uma maneira de homenageá-la”, disse ela em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

O grupo tem regras. Aquele que oferece o remédio precisa pedir a receita, que deve ser escaneada e enviada antes de receber a caixa. Outra página, a “Doação de Remédios (São Paulo)”, tem 3 mil membros, e realiza a troca e doação de medicamentos restritos e não restritos, caros e com preços mais baixos.

Apesar da boa intenção, a prática é proibida pelo Ministério da Saúde nos casos de remédios de alto custo distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e daqueles conseguidos via ação judicial. De acordo com o Ministério, quem estiver de posse do medicamento “deve comunicar à pasta, para que seja providenciado o recolhimento e a posterior distribuição para pessoas que estejam precisando”. Apesar de proibida, o que acontece nos grupos nas redes sociais não é considerado crime e por isso não tem punições previstas.

Médicos alertam para os riscos do uso de um medicamento doado, sobre a validade e também a dosagem. Luanna Batista, de 23 anos, desempregada, usou um desses grupos para conseguir o remédio Tarceva, cuja caixa com 30 comprimidos custa cerca de R$ 7 mil, O medicamento é para Maria, de 63 anos, a avó da jovem, que sofre de câncer de pulmão. “No centro médico (de Santa Bárbara d’Oeste, onde a família mora) conseguimos cinco caixas, que eram de um paciente que tinha morrido”, revelou a neta ao Estadão.

Na opinião de Lúcio Flávio Gonzaga Silva, do Conselho Federal de Medicina (CFM), um dos principais problemas dessas trocas e doações de remédios via rede social é o uso sem a prescrição médica. “Os fármacos têm efeitos colaterais, interações com outros remédios. E isso tudo deve ser avaliado por um profissional. Há riscos na automedicação”, explica.

Foto: Reprodução Pexels

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Michelle Monte Mor Michelle Monte Mor

Formada em Comunicação Social e em Mídias Digitais. Escreve sobre o setor automotivo desde 2004. Não larga o smartphone e vive conectada às redes sociais. Adora viajar e dirigir.

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