Contas públicas têm o pior resultado desde 2001

Enquanto isso, o FMI recomenda que o governo revise o salário mínimo e efetue as reformas da previdência e trabalhista no Brasil

Contas públicas têm o pior resultado desde 2001
Em 2016, o Brasil vai registrar o terceiro ano seguido com as contas no vermelho

Os resultados das contas do setor público, que incluem o governo federal, os estados, os municípios e as empresas estatais, registraram os piores resultados desde 2001. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) e mostram um rombo recorde em agosto e também no acumulado dos oito primeiros meses deste ano.

Em agosto, o BC registrou déficit primário, que são as despesas maiores do que receitas, de R$ 22,26 bilhões. O pior resultado para o mês de agosto aconteceu em 2014, com um rombo fiscal de R$ 14,46 bilhões. No acumulado dos oito primeiros meses, o déficit fiscal das contas públicas atingiu R$ 58,85 bilhões. No ano passado, que havia sido o pior resultado até então, houve um déficit primário de R$ 1,1 bilhão. Estes resultados são os piores da série histórica do Banco Central desde dezembro de 2001.

A piora no desempenho das contas públicas contribuiu para uma alta da dívida bruta do setor público, que atingiu o patamar inédito de 70% do PIB. De acordo com economistas, a dívida bruta deverá continuar a subir e se distanciar da média dos países emergentes, que, segundo o Ministério da Fazenda, fica em torno de 45% do PIB. Com isso, percepção de investidores sobre a economia brasileira só piora.

Em 2016, o Brasil vai registrar o terceiro ano seguido com as contas no vermelho. Em 2014, houve um déficit de R$ 32,5 bilhões e, em 2015, um rombo recorde de R$ 111 bilhões. Por conta da economia em baixo crescimento e o aumento do endividamento, o Brasil já perdeu o chamado grau de investimento, que é uma recomendação para investir no país. Essa recomendação foi retirada pelas três maiores agências de classificação de risco, a Standard & Poors, Fitch e Moody's.

FMI recomenda mudanças no salário mínimo e na previdência

Em meio ao endividamento e à crise econômica, o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou que o governo brasileiro fizesse uma revisão do cálculo do salário mínimo, a aprovação de um teto para os gastos públicos e promovesse as reformas da Previdência e trabalhista.

“A fórmula para as revisões do salário mínimo afeta o crescimento de pensões e outros benefícios e é, portanto, uma grande fonte de pressão fiscal no médio prazo. O vínculo entre benefícios sociais e o salário mínimo merece revisão, enquanto a fórmula do salário mínimo deveria ser revisada para melhor refletir as melhoras em produtividade”, diz o relatório do FMI.

Em seu comunicado, o FMI considerou acertada a intenção do governo de controlar os gastos públicos. O Fundo também comentou a situação financeira dos estados. “A trajetória ascendente dos gastos em muitos estados, incluindo alguns dos maiores, precisa ser contida por meio da adoção de uma regra similar à proposta pelo governo federal”.

Sobre a Previdência Social, o FMI é a favor de uma ampla reforma ampla. “No interesse da prudência fiscal, bem como da equidade e justiça, a reforma deveria abranger os regimes para empregados do setor público em todos os níveis do governo”.

Foto: Reprodução dinheiro.me

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Michelle Monte Mor Michelle Monte Mor

Formada em Comunicação Social e em Mídias Digitais. Escreve sobre o setor automotivo desde 2004. Não larga o smartphone e vive conectada às redes sociais. Adora viajar e dirigir.

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