Cartão de crédito clonado: o que fazer?

Saiba quais são as formas mais comuns de cartão de crédito clonado e como se defender para não virar mais uma vítima.

Cartão de crédito clonado: o que fazer?
33% dos brasileiros que possuem cartão de crédito já sofreram fraude

Frequentemente, os consumidores só se dão conta de que sofreram um golpe com o cartão de crédito ou débito quando recebem a fatura e identificam gastos e compras que não fizeram, ou quando percebem que o saldo da conta sumiu.

A forma mais comum de fraude utilizando cartões de crédito e débito no Brasil é a clonagem. Um cartão de crédito clonado tem sua identificação magnética copiada e gravada em qualquer outro cartão “em branco”. Com posse da senha do utilizador, torna-se possível fazer saques e compras com o cartão de crédito clonado.

Golpes de cartão de crédito clonado

1. Cuidado com as máquinas de pagamento eletrônico

Há diferentes formas de ter o cartão de crédito clonado. Uma delas é a instalação de equipamentos que copiam os códigos do cartão nas máquinas de pagamento em estabelecimentos comerciais. Muitas vezes, são os próprios atendentes das lojas, que ao fazer a operação de recebimento, cometem a fraude, agindo em conjunto com quadrilhas de clonagem. As informações magnéticas do cartão são copiadas e a senha é gravada nos leitores instalados na máquina, isto permite aos golpistas clonar o cartão.

2. "Chupa-cabras" no caixa eletrônico do banco

Mas não é apenas em estabelecimentos comerciais que o seu cartão pode ser fraudado. As quadrilhas de golpistas que fazem clonagem de cartões são cada vez mais ousadas e criativas para burlar as tecnologias de segurança das operadoras financeiras, e aumentam, a cada dia, o número de vítimas. As quadrilhas usam os próprios terminais eletrônicos para fazer a clonagem dos cartões. 

O golpe de cartão de crédito clonado mais comum é com o uso do “chupa-cabras”, um equipamento instalado nos caixas dos bancos no lugar onde se insere o cartão, que rouba a identificação magnética e copia os códigos do chip do cartão. Com um painel falso do caixa eletrônico do banco, que às vezes esconde também uma câmera filmadora logo acima do teclado, os golpistas conseguem ter acesso aos códigos e senhas dos cartões. As quadrilhas instalam os equipamentos e uns dias depois voltam para retirá-los e levar os dados que lhes permitirão clonar os cartões.

A versão mais atual do golpe “chupa-cabras” é realizado por meio de aparelhos celulares ou notebooks com bluetooth. Neste golpe, a máquina de pagamento recebe placas de computador programadas para gravar e transmitir os códigos bancários e senha dos clientes para o celular ou computador dos golpistas à distância, possibilitando depois a clonagem dos cartões.

3. Cartão preso no caixa eletrônico

Outro tipo de golpe descoberto recentemente, foi o uso de um telefone celular implantado no telefone que fica dentro da agência para prestar assistência aos clientes. Usando um mecanismo que prendia o cartão dentro dos caixas eletrônicos, os golpistas criavam a necessidade dos clientes usarem os telefones da agência, perguntando dados pessoais e senhas. Logo em seguida, resgatavam os cartões e podiam usá-los para fazer compras e saques.

4. Phishing

Um golpe também muito utilizado é o "phishing" (de fishing), mas para “pescar” consumidores mais ingênuos. O phishing é realizado por um meio eletrônico, seja email, site ou SMS, sempre utilizando a identificação de uma empresa confiável, geralmente bancos. As quadrilhas se fazem passar por técnicos das empresas que as vítimas são clientes, dizendo haver algum problema com o cartão de crédito e pedindo a confirmação de dados pessoais, além do número do cartão de crédito e até senha. Apesar de se tratar de um golpe pouco sofisticado, ainda consegue "pescar" muitos desavisados.

E muitas vezes, são os golpes mais simples que mais fazem vítimas. Qualquer instante com o seu cartão longe da vista, pode ser uma oportunidade para um golpe acontecer. Basta uma cópia da frente e do verso do cartão, e já é possível realizar compras pela internet, por exemplo.

A clonagem de cartão de crédito se classifica como crime de roubo de identidade, e pode ser enquadrada também como crime estelionato e formação de quadrilha.

Tive o cartão de crédito clonado, e agora?

É comum ver nas redes sociais queixas, reclamações e desabafos de pessoas que sofreram o golpe do cartão de crédito clonado. E nestas horas, a queixa geralmente é contra quem deveria dar total assistência aos clientes, ou seja, contra os bancos. 

A burocracia para resolver o problema começa com a comprovação de que as compras, de fato, não foram feitas pela vítima, como relata Rômulo F. B., na página oficial do Banco do Brasil na rede social Facebook. O cliente teve o cartão clonado, e foram gastos mais de R$3.500,00 do seu limite. Mesmo após entrar em contato com o banco e fazer a denúncia, recebeu a cobrança da fatura do cartão de crédito. 

Com a morosidade dos bancos para resolver os casos e reembolsar os clientes, as vítimas dos golpes, muitas vezes, acabam recebendo cobranças judiciais e tendo o CPF cadastrado no SERASA, e o nome no SPC. 

Os consumidores precisam saber que as fraudes bancárias fazem parte dos riscos inerentes do negócio das instituições financeiras. Por isso, de acordo com o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, os bancos devem arcar com toda a responsabilidade e prejuízos da fraude, e reembolsar as vítimas o mais depressa possível, pagando, inclusive, indenização caso seja comprovado algum tipo de dano moral ou se houver negligência por parte do banco.

O que fazer se o seu cartão for clonado:


1. A primeira providência a tomar, logo que perceber qualquer irregularidade no uso do seu cartão, no saldo das suas contas ou fatura de cartão de crédito, é ligar para a SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor, do seu banco e bloquear o cartão. Anote o dia e horário da ligação, o nome do atendente, o número do protocolo e qualquer outra informação que você considere relevante.

2. Após bloquear o cartão, dirija-se imediatamente à delegacia mais próxima à sua residência e faça um Boletim de Ocorrência (B.O), relatando o ocorrido. Peça na delegacia a emissão do B.O em duas vias.

3. Logo que possível, vá à sua agência relate o acontecido ao seu gerente, entregue uma via do B.O, e peça a ele que assine a sua via com a data de entrega do B.O.

4. A partir daí a responsabilidade de detectar a fraude é do banco, que deve reembolsá-lo e tratar de todos os procedimentos legais. No geral, os bancos têm entre 5 a 20 dias para proceder ao reembolso e, se for da sua vontade, providenciar um novo cartão de crédito.

5. Caso o banco não cumpra com esta responsabilidade num prazo de até um mês, você pode fazer uma reclamação oficial junto ao Procon, ou procurar apoio jurídico e ajuizar uma ação judicial. Você tem, inclusive, o direito de pedir  indenização, caso ache que a fraude lhe causou algum dano moral, se teve contas atrasadas, se pagou juros, se sofreu qualquer tipo de constrangimento financeiro, ou se teve o CPF cadastrado, indevidamente, no SERASA ou o nome no SPC.

Vítimas de cartão de crédito clonado

Depois de viver uma experiência de fraude, 61% dos utilizadores que tiveram o cartão de crédito clonado passaram a dar preferência por outras formas de pagamento, como dinheiro ou cheque, por pelo menos seis meses após a fraude. Destes, cerca de 9% não voltaram mais a usar cartão de crédito.

Após tentarem solucionar o problema e seguir todos os procedimentos, 56% dos brasileiros se disseram insatisfeitos com o atendimento e a assistência que receberam do seus bancos:

  • 23% esperava que o banco detectasse a fraude e lhe informasse.
  • 29% esperava um rápido reembolso do valor em dinheiro usado com a fraude do cartão.
  • 39% dos possuidores de cartão de crédito temem ter cartão clonado.

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Redação E-konomista Redação E-konomista

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