Brasil vive epidemia de sífilis

Em seis anos, foram notificados quase 230 mil casos novos de sífilis no país. Veja o que é preciso para se proteger e como fugir dessa doença

Brasil vive epidemia de sífilis
Em 2015, o número de mulheres atingidas pela sífilis aumentou

Transmitida durante a gestação, por contato sexual ou transfusão de sangue, a sífilis hoje é um problema no Brasil. Esta semana, o Ministério da Saúde admitiu que o país enfrenta uma epidemia da doença. De acordo com um boletim epidemiológico do governo, entre os meses de junho de 2010 e 2016 foram notificados quase 230 mil casos novos de sífilis. Em cada cinco ocorrências, três (62,1%) foram registradas na região Sudeste. A transmissão de gestantes para bebês é atualmente o principal problema.

Em 2015, a cada mil bebês nascidos, 6,5 eram portadores de sífilis. Em 2010, esse número era de 2,4 bebês em cada mil nascimentos. Os números mostram que a incidência da sífilis congênita triplicou em meia década. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), todos os anos, cerca de 900 mil grávidas são infectadas com a sífilis, o que resulta em 350 mil nascimentos com problemas. Em 2015, Cuba tornou-se o primeiro país no mundo a erradicar a transmissão de sífilis entre mãe e filho.

A sífilis congênita, que é passada de mãe para filho, pode resultar em aborto, natimorto ou óbito neonatal. Além disso, se não for detectada, a doença pode causar o nascimento prematuro de bebês com baixo peso, com outros sintomas como coriza mista de sangue e ranho, sinais e sintomas ósseos, inchaço do fígado e do baço, pneumonia, edemas, fissuras nos orifícios, entre outros males, que podem resultar na morte da criança. Por isso é importante fazer o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento o quanto antes.

No ano passado, foram notificados 65.878 casos no Brasil. A maioria deles registrado na região Sudeste (56,2%). Os mais atingidos foram pessoas na faixa etária dos 20 aos 39 anos (55%), que se auto-declaram da raça branca (40,1%). Há seis anos, a incidência da doença em homens era maior. No entanto, em 2015, o número de mulheres atingidas aumentou.

De acordo com o Ministério da Saúde, a detecção da sífilis é feita por meio de testes rápidos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, o Ministério aumentou em mais de quatro vezes a quantidade de testes distribuídos a estados e municípios, passando de 1,1 milhão em 2001 para 6,1 milhões de testes em 2015.

De acordo com Nemora Barcellos, médica colaboradora da Organização Mundial de Saúde (OMS), a penicilina G é a droga preferencial para o tratamento da sífilis em todos os estágios da doença. “O tipo do antibiótico (benzatina ou cristalina), a via (se por soro ou injeção) e a dosagem dependem das manifestações clínicas e da presença ou não de co-infecção pelo HIV, vírus da Aids. A sífilis terciária necessita um período maior de tratamento. A efetividade da penicilina no tratamento da sífilis está muito bem estabelecida e baseada na experiência clínica de muitas décadas, em estudos observacionais e em ensaios clínicos. Os casos de sífilis congênita devem ser tratados com penicilina G cristalina e o acompanhamento da criança também está condicionado à adequação do tratamento da mãe. Portadores de alergia à penicilina podem se beneficiar de dessensibilização controlada”, explicou a médica à BBC Brasil.

O que é sífilis?

A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica, crônica causada pela bactéria Treponema pallidum. A doença se manifesta em diferentes estágios. Se o doente não buscar tratamento, a sífilis apresenta evolução em fases. Começa com feridas na pele e pode evoluir para complicações que levam ao óbito. Ela também pode afetar o sistema cárdio-vascular e neurológico. É transmitida por relação sexual, durante a gravidez e transfusão de sangue. Esta última é mais rara.

Como prevenir

  • Uso de preservativos;
  • Tratamento completo e correto para o casal;
  • Fazer o pré-natal;
  • Exames de diagnóstico antes de engravidar;
  • Sífilis pode ser transmitida também nas relações anais e orais.

Sintomas

  • Sífilis primária – pequenas feridas nos órgãos genitais (cancro duro) que desaparecem espontaneamente e não deixam cicatrizes; gânglios aumentados e ínguas na região das virilhas;
  • Sífilis secundária – manchas vermelhas na pele, na mucosa da boca, nas palmas das mãos e plantas dos pés; febre; dor de cabeça; mal-estar; inapetência; linfonodos espalhados pelo corpo, manifestações que também podem regredir sem tratamento, embora a doença continue ativa no organismo;
  • Sífilis terciária – comprometimento do sistema nervoso central, do sistema cardiovascular com inflamação da aorta, lesões na pele e nos ossos.

Tratamento

  • Feito com antibióticos, especialmente penicilina;
  • Exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença e estendido aos parceiros sexuais.
Foto: Reprodução Pexels

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Michelle Monte Mor Michelle Monte Mor

Formada em Comunicação Social e em Mídias Digitais. Escreve sobre o setor automotivo desde 2004. Não larga o smartphone e vive conectada às redes sociais. Adora viajar e dirigir.

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