Brasil, um oásis verde e amarelo para trabalhadores estrangeiros e investidores internacionais

Desde 2010, com o agravamento da crise econômica, principalmente na Europa, o número de estrangeiros que emigraram para o Brasil aumentou significativamente. O país tornou-se a nova terra das oportunidades nas Américas, sobretudo para os jovens estrangeiros altamente qualificados e para os investidores internacionais. Mas para o povo brasileiro, o Brasil também é a terra das oportunidades ou o país das promessas?

Brasil, um oásis verde e amarelo para trabalhadores estrangeiros e investidores internacionais
Brasil, terra das oportunidades?
  • E para os brasileiros, o Brasil também é a terra das oportunidades ou o país das promessas?

Desde o início da crise econômica mundial, em 2008, os mercados emergentes ganharam maior visibilidade. E o Brasil ganhou protagonismo, atraindo investidores de todo o mundo, e conquistando a 5ª posição entre os países que mais recebem investimentos externos diretos nas mais diversas áreas, desde a exploração de matérias-primas, principalmente de recursos minerais, até o desenvolvimento de alta tecnologia.

Em menos de 10 anos, mais de 40 milhões de brasileiros ascenderam à classe média, formando um mercado de massas ávido para consumir tudo e qualquer coisa. Para atender e estimular  este desejo de consumo, e movimentar o fluxo financeiro, o governo ampliou a oferta de crédito em 56%, tentando driblar o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras para manter o nível de consumo em alta, e a produção também.

O governo tem para a classe média a meta de mantê-la como um mercado consumidor ativo e em contínua expansão. Para isso, a economia precisa ficar estável e o nível de confiança do povo brasileiro elevado, assim como dos investidores. O Brasil precisa mostrar ao mundo que é um oásis dourado.

A desigualdade social diminuiu. O índice de analfabetismo caiu, e o grau de escolaridade da população brasileira, no geral, aumentou. O desemprego nunca foi tão baixo no Brasil, indo na contramão do que acontece em quase todo o resto mundo atualmente. Tudo isto é estatística.

Muitos destes dados, foram apresentados pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva num artigo publicado pelo jornal Valor Econômico, no dia 25 de fevereiro deste ano, com o título "Por que o Brasil é o país das oportunidades?". Mas afinal, a pergunta deveria ser: O Brasil é o país das oportunidades para quem?

A galinha dos ovos de ouro para os investidores internacionais

O Brasil é a sétima maior economia do mundo, é hoje uma superpotência mundial, possui uma moeda estável, uma política liberal, é o país com a quinta maior extensão geográfica do mundo e com grande disponibilidade de terras para investimento no setor imobiliário, ou para o agronegócio, com tecnologias modernas para exploração do setor, e uma grande diversidade de recursos naturais. 

Além de ter uma população de quase 200 milhões de habitantes, e um mercado de consumo interno invejável, é um dos 20 maiores exportadores do mundo. Para melhorar o quadro, faz fronteira com vários países da América do Sul. 

Mas a grande vantagem do Brasil para os investidores internacionais, é o interesse do Governo em ter capital externo no país. Para isto, adota medidas para amenizar o peso da alta carga tributária brasileira, entre outras iniciativas de incentivo. Desde os anos de 1990, o Governo Federal tem criado estímulos para atrair e manter multinacionais no país, com acordos bi e multilaterais para evitar, por exemplo, bitributações. 

Além disso, o Governo Federal, assim como os estados e municípios, também podem outorgar incentivos fiscais às empresas estrangeiras ou a acionistas. As medidas de isenção fiscal para investidores estrangeiros são usuais no Brasil. Desde o começo de 2014, por exemplo, o Governo vem cogitando a isenção de IOF para aumentar o fundo de investimento estrangeiro no mercado imobiliário. 

Não é a toa que tantos investidores têm escolhido o Brasil para injetar capital. Mas por outro lado, o baixo investimento em infraestrutura, sobretudo no que diz respeito à educação, saúde e segurança, em comparação com os outros países emergentes, traz dúvidas para os investidores estrangeiros sobre o desempenho futuro da economia brasileira.




Trabalhadores estrangeiros no Brasil

Com o agravamento da crise global, os jovens com alta qualificação e sem emprego em seus países de origem, começaram a buscar oportunidades no exterior. E o Brasil tem sido um dos destinos preferidos. Entre 2010 e 2013, foram concedidas 242.556 autorizações de trabalho para estrangeiros no país. Destes, 218.290 são homens, a maioria tem entre 25 e 35 anos.

Grande parte dos jovens que vêm em busca de oportunidades de trabalho, possuem graduação ou pós-graduação, e têm como principais destinos São Paulo e Rio de Janeiro. As áreas de trabalho mais procuradas são engenharia, arquitetura, tecnologias da informação, e gestão de negócios.

Na última década, o desenvolvimento do setor industrial, com a vinda de multinacionais, também exigiu mão de obra especializada em montagem de equipamentos e em modernas tecnologias industriais, demandando capital humano internacional.

A exploração das plataformas continentais brasileiras para a exploração de petróleo e gás, também trouxe uma leva de profissionais estrangeiros com autorização de trabalho a bordo de navios e embarcações.

O crescimento do varejo, do setor produção e de serviços, aumentou a demanda da mão de obra e aumentou as oportunidades de trabalho para os brasileiros, mas também para os estrangeiros no Brasil.




A terra das oportunidades para os jovens estrangeiros

Poder exercer a profissional para a qual se habilitaram e ganhar um bom salário para isto é o principal atrativo para os estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil, além da estabilidade profissional, possibilidade de crescer na carreira, e a experiência enriquecedora no currículo.

O Brasil também é muito receptivo com os estrangeiros em busca de emprego. Para o país, a mais valia está na troca de informação e tecnologias. Além disso, a mão de obra estrangeira é muito bem vista no país, e é comum que brasileiros com a mesma formação profissional de um estrangeiro acabe ganhando menos e ocupando cargos mais baixos.

Um dos principais países de origem dos estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil, é Portugal. Nos últimos 3 anos, quase 9 mil portugueses obtiveram autorização para trabalhar no país. 

É o caso do gestor de empresas, Nuno Barros, que foi para o São Paulo atraído pela oportunidade de trabalhar num mercado maior e com mais oportunidades. Atualmente, trabalha numa empresa brasileira na área de produção de mobiliário de luxo em madeira maciça. 

Para Nuno Barros, embora o clima de otimismo financeiro já não seja o mesmo de quando chegou ao Brasil, e haja, inclusive, um certo receio dos investidores estrangeiros e mesmo brasileiros, devido, sobretudo à volatilidade do Real e ao ambiente de incertezas políticas do país, o mercado nacional dinâmico e diversificado mostra alternativas de investimento e de trabalho muito interessantes. 

O gestor de empresas, que é casado com uma portuguesa que também trabalha e vive no Brasil, diz que voltaria para Portugal se tivesse as mesmas condições profissionais que tem aqui, mas quando questionado se imagina-se vivendo no Brasil futuramente, confessa: "Hoje mais do que quando cheguei, mas ainda pretendo regressar" (para Portugal).

Já a maltesa, quase londrina, Sharon Azzopardi, mora na cidade de Goiânia, Goiás, há 4 anos e meio e não pensa em deixar o Brasil, ao menos tão cedo: "Ainda há muitas oportunidades de trabalho por aqui" . Embora seja formada em jornalismo pela Southampton Solent University, ela trabalha como professora de inglês e resolveu ficar no país ao fazer uma viagem para visitar um amigo: "depois de algumas semanas aqui, percebi que havia muita procura por professores de inglês, e pessoas fluentes ou com inglês nativo, então decidi ficar", diz.

O engenheiro de telecomunicações italiano Antonio Oliviero, esteve no Brasil pela primeira vez em 1989 e se apaixonou pelo clima e pelas belezas naturais do país. Depois de visitas frequentes, mudou-se para Natal, no Rio Grande do Norte, em 2004. Já está aqui há 10 anos e não pensa em voltar para a Itália: "eu consegui o visto permanente e resolvi morar de forma permanente no Brasil".

Apesar de ser um apaixonado pelo país, Antonio Oliviero aponta aspectos negativos como insegurança, saúde pública e leis trabalhistas com muitos favoritismos para os trabalhadores, segundo ele. Ainda assim, é otimista em relação ao Brasil: "Eu acho que o Brasil vai se sair nesta crise melhor que a Europa, e com certeza melhor que a Itália, onde a gente perdeu uma geração de jovens. Os melhores escaparam".

Hoje, o italiano Antonio Oliviero é dono e editor do blog Vivere in Brasile, onde oferece informações e presta consultoria para italianos que pretendem se mudar para o Brasil, tanto em busca trabalho, como para investir no país.

Há um tesouro atrás do arco-íris para os brasileiros?

Não se pode negar que as condições de vida no Brasil melhoraram significativamente. Mas muitos dos índices positivos presentes nas estatísticas, são para inglês ver.

É verdade que a desigualdade social diminuiu, mas a tal ascensão da classe média, muitas vezes soa como uma falácia. De acordo com o Governo, pertence à classe média, ou classe C, quem tem uma renda mensal entre R$291,00 e R$1.019,00. Mas o poder de compra de indivíduos que pertencem à classe média, e que ganham o mínimo e o máximo é muito diferente. Como jogar tudo no mesmo saco e dizer que o Brasil possui 91 milhões de pessoas que pertencem à classe média?

Sim, é verdade também que a taxa de desemprego, historicamente, nunca foi tão baixa, que o país nunca teve tanta visibilidade internacional, e que está entre as grandes potências mundiais. Mas problemas estruturais graves que transformam as oportunidades em miragem para os brasileiros. A educação básica precária, e a baixa qualidade da formação no ensino superior, principalmente privado, é um obstáculo para quem tenta entrar no mercado de trabalho e crescer na carreira. Há inúmeras vagas de emprego que não são preenchidas por falta de profissionais brasileiros capacitados.

Além disso, os brasileiros ainda sofrem com a falta de infraestrutura, mesmo nas grandes cidades, que, no geral, possuem sistemas de transporte público totalmente degradados e deficitários, sistema de saúde público sucateado e incapaz de atender a toda a população, e índices de violência e crimes fatais que não perdem para nenhuma guerra. Isso para não falar da corrupção. 

Estes problemas estruturais, de base, do Brasil estão se tornando a cada dia mais evidentes e ganhando visibilidade, o que provoca uma queda de confiança dos investidores internacionais e nacionais. E a pergunta que fica é: será que o Brasil um dia vai continuar crescendo, para termos tempo de chegar atrás do arco-íris e usufruir do tesouro, ou para o povo brasileiro o país vai continuar sendo a promessa de um país para todos?


Gostou? Compartilhe!
Carolina Benevides Carolina Benevides

Jornalista brasileira, Carolina Santarosa é formada pela Universidade de Fortaleza desde 2011. Atualmente cursa o 2º ano do Mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto. A profissional já trabalhou no marketing da Red Bull, foi Assessora de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza e do North Shopping Fortaleza. Fez intercâmbio acadêmico nos Estados Unidos e atualmente mora no Porto (Portugal).

Receba mais informações como esta!

Receba a nossa newsletter

Ao submeter os seus dados receberá a newsletter, ofertas e publicidade enviado por e-konomista.com.br e pelos nossos Parceiros e aceita os Termos e Condições e a Política de Privacidade. Os dados submetidos serão compartilhados com os nossos Parceiros.

Enviar