As áreas de trabalho que precisam de mais mulheres: TI e Engenharia

Entenda porque as mulheres são minoria nos setores de Ciências Exatas e porque elas recebem menores salário que os homens nessas áreas de trabalho

As áreas de trabalho que precisam de mais mulheres: TI e Engenharia
Saiba porque empresas precisam de mulheres em áreas de trabalho essencialmente masculinas

encontre o seu próximo emprego aquiconsulte já

Precisa-se de mais mulheres no mercado de trabalho. E quem está afirmando isso não são (somente) as feministas não, são as próprias empresas de áreas de trabalho majoritamente dominadas pelo sexo masculino, como de TI e Engenharia. Entenda o porquê no nosso artigo.

Procura-se mulheres programadoras

As mulheres são a maioria da população mundial, têm maior grau de escolaridade que os homens e mesmo com os avanços conseguidos por elas nas últimas décadas, a representatividade do sexo feminino no mercado de trabalho ainda é pequena, especialmente em certas áreas. Dentre elas, a de programação.

As mulheres tiveram papel fundamental na evolução do processamento de dados, para perceber isso basta pesquisar sobre Ada Lovelace, a condessa inglesa matemática e escritora que escreveu o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina e é hoje considerada a mãe da computação moderna. Apesar desse histórico, a participação feminina na indústria da computação vem caindo ano a ano. Em 1984, elas representavam 37% dos graduandos em ciência da computação. Atualmente são menos de 18%.

E é de olho nas habilidades femininas que grandes empresas estão investindo em programas para incentivar o interesse de jovens meninas por programação.  É o caso de empresas do Vale do Silício (EUA) que criaram o projeto Girls Who Code e também da Google, que participa desse mesmo incentivo com o projeto Made with Code.

Conheça as profissões que as mulheres têm melhores salários que os homens

Por que a empresas querem investir em mulheres programadoras?

areasdetrabalho


Os motivos são muitos.  Empresas conscientes  querem combater a desigualdade de gênero no mundo do trabalho e ampliar a diversidade dentro de suas companhias. O projeto da Google Made with Code apontou que, nos Estados Unidos 74% das meninas estudantes da middle school (de 11 a 14 anos) demonstram interesse em Ciências da Tecnologia, Engenharia e Matemática. Mas já na high school (dos 15 aos 18 anos) somente 0,3% delas planejam graduação nessas áreas. O interesse pela área é perdido ao longo do caminho e a intenção desse tipo de projeto é incentivar essa paixão pelas Ciências Exatas. O incentivo de adultos e colegas é o maior encorajador para que meninas prossigam para as áreas da computação e do cálculo.

As busca pelas habilidades femininas também é fator decisivo no apoio para que elas sigam carreira nessas áreas. Mulheres e homens tem visões e habilidades distintas dentro de uma mesma área, e ambas são necessárias e complementares dentro de uma empresa. A ausência da visão e das habilidades femininas – como é o caso atual – causa desequilíbrio pois o mundo do trabalho nessas áreas se tornam estritamente masculino quando o público alvo dos produtos é de sexo indiferenciado. Então, atingir as mulheres sendo que a empresa tem equipe essencialmente masculina torna-se um problema. É preciso que mulheres programadoras existam no mercado não somente para produzir conteúdos e produtos para mulheres, mas para equilibrar a produção e diminuir a disparidade entre os gêneros.

Ideias de negócio para mulheres empreendedoras

As mulheres são maioria em áreas de educação e humanidades, mas...

Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres com mais de 25 anos têm maior participação nas áreas da Educação (são 83% do total de educadores),  e nas Humanidades e Artes (74.2%), no entanto, essas são as áreas com menores rendimentos mensais médio entre as pessoas ocupadas. Por outro lado, as áreas promissoras e com níveis atrativos de remuneração têm um número muito baixo de mulheres. Na indústria de Óleo & Gás somente 5% dos cargos em posição de comando são ocupados por mulheres. Em TI, a presença feminina em cargos de gestão também é baixa: 13%. Dentro das Universidades, somente 17% das vagas de engenharia são preenchidas por mulheres.

...a disparidade de salários é muito grande

O mais preocupante é essa informação: são poucas as mulheres que mantêm o seu interesse pelas áreas das Ciências exatas e seguem com elas até a graduação. As que mantêm esse interesse sofrem dificuldes com o avançar da carreira. Durante a graduação as mulheres saem na frente: elas tê mais atividades extracurriculares, têm mais vivência no exterior, têm melhor nível de inglês e praticam mais atividades voluntárias. Ao chegar no mercado de trabalho, vem a decepção: as mulheres recebem sálarios inferiores aos homens (mesmo ocupando o mesmo cargo que eles) e ocupam menos postos de trabalho de comando.

Segundo o IBGE, os salários dos homens em geral (em todas as áreas) é 25% mais alto do que o das mulheres para o mesmo cargo. Nas áreas exatas, a disparidade é ainda maior e os homens chegam a receber um salário 63% mais alto que as mulheres. Nas presidências de empresas, o gap salarial é de 42%. Mesmo na área da Educação, que é dominada pelas mulheres, os salários dos homens ainda é mais alto. Somente 14% dos postos mais altos nas universidades da América Latina, Portugal e Espanha são preenchidas por mulheres – e no Brasil aquelas que chegam aos altos postos chegam a ganhar até 42% menos.

Você sabe o que é o empreendedorismo rosa? Confira

Por que isso acontece?

OPORTUNIDADE DE EMPREGO
O E-Konomista não brinca em serviço, e vai te ajudar a encontrar a oportunidade certa. Faça o cadastro gratuitamente e receba vagas no Brasil e no exterior.

Se existem mais mulheres, elas têm maior nível de instrução que os homens, se dedicam e tiram melhores notas na faculdade... por que o salário delas é menor? Primeiro, como dissemos logo ali acima, as áreas onde existem maior número de mulheres trabalhando (educação, humanidades e artes) têm menores salários médios e onde os homens dominam têm salários superiores, e isso não é uma mera coincidência. Segundo, quando as mulheres disputam vagas em áreas supostamente “masculinas” seus salários são menores que os dos homens.

Mas como isso acontece? É simples, vamos utilizar o exemplo da engenharia. Ao sair da faculdade, engenheiros e engenheiras costumam disputar, em igualdade, pelas vagas abertas para a área. Ainda que exista uma predileção pelos homens durante as etapas subjetivas do processo seletivo (como na entrevista, por exemplo), as vagas de trabalho não são direcionadas para nenhum dos sexos, “procuram-se engenheiros”, do sexo feminino ou masculino, portanto, em início de carreira os salários costumam ser parecidos. O problema vem com o desenvolver da carreira. Após entrar dentro das empresas, a carreira dos homens “decola” muito mais rápido do que das mulheres, recebem maiores promoções e têm mais facilidade de ascenção para cargos mais importantes. A carreira das mulheres costumam ficar estagnadas antes de chegar a cargos de liderança.

Alguém pode pensar: “A carreira dos homens não decola mais depressa/melhor por méritos deles?” Em muitos casos, isso pode ser verdade sim, mas seria presunçoso e injusto imaginar que todos os homens se dedicaram mais que as mulheres e por isso recebem melhores oportunidades. A dedicação das mulheres na faculdade já mostra o contrário, e também no mercado de trabalho. O problema está no pensamento da sociedade, que ainda carrega altas doses de patriarcalismo.

As características que todo (a) empreendedor (a) deve ter para abrir um negócio

Mulher reprodutiva x Homem produtivo

areasdetrabalho


A secretária-adjunta da Secretaria de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica, Neusa Tito, possui uma pesquisa que trata justamente dessa questão e aponta que: “Embora seja um mito que homens possuem uma capacidade superior de aprendizagem e percepção de ciências e matemática em comparação com as mulheres, fortalecido pelas estruturas construídas, o fato é que adolescentes do sexo feminino apresentam uma menor expectativa de sucesso em profissões tecnológicas.”

Tito afirma que ainda existe um senso comum de que a mulher deve estar mais ligada ao trabalho reprodutivo e o homem ao produtivo, a mulher tem filhos e o homem provém o sustento. O estigma da mulher como ser reprodutivo não se limita a parir e amamentar os filhos, mas também diz respeito ao cuidado com eles e com a família.

Direitos transformados em barreiras na contratação

E aqui entra um outro problema: as conquistas das mulheres em direitos ligados à maternidade são mal vistos pelas empresas. A licença à maternidade (que dura de 4 a 6 meses, no Brasil) é um direito de toda mulher que engravida ou adota crianças,  e representa para a empresa a ausência da funcionária durante esse período – ou seja, precisa contratar outro funcionário para cobrí-la – e a mulher grávida não pode ser despedida.  O que é uma conquista e um direito das mulheres transformou-se, dentro do mercado de trabalho, numa barreira para a sua contratação, já que a licença paternidade dura no máximo 5 dias.

Outro complicador é o cuidado com os filhos. As mulheres são consideradas como mais ligadas à família que os homens. Se o filho adoece, a mulher falta ao trabalho. Se o filho se machuca na escola, a mulher larga o trabalho ao meio para ir socorrer – e assim por diante. Isso é uma generalização muito comum, e essa atenção com a família é vista por muitos chefes e contratadores como falta de foco no trabalho. E assim, preferem contratar homens.

Mulheres no exterior: melhores países para morar e trabalhar

O qué preciso ser feito para mudar essa realidade?

O ideal é: que homens e mulheres sejam contratados para um cargo pelo trabalho que oferecem, pelo seu grau de competência, e que o seu sexo não seja um influenciador positivo ou negativo. Que recebam salários iguais, condizentes com o seu cargo, não com o seu sexo.

Para isso é importante:

  • Estimular a entrada e permanência das mulheres nas áreas da exatas ajuda a quebrar estereótipos – como os projetos do Vale do Silício e da Google estão fazendo.
  • Conscientizar homens e mulheres sobre essa disparidade de salários e mostrar a todos como não existem razões para isso aconteça, a não ser a manutenção de uma mentalidade retrógrada e patriarcal que não beneficia em nada a sociedade
  • Equiparar, para já, os salários entre homens e mulheres que exerçam os mesmos cargos e dar iguais condições de crescimento e oportunidade de ocupar cargos de liderança para ambos os sexos

Precisa-se de mulheres em todas as áreas. Assim como precisa-se de homens em todas as áreas. As habilidades de ambos os sexos trabalham melhor e se complementam quando trabalham juntas. Pagar menores salários às áreas dominadas por mulheres e menores salários às mulheres que trabalham em áreas dominadas pelos homens são ações que não têm a menor justificativa.

Desenrole a língua! Aprenda inglês rápido e definitivamente.


Veja também:

Gostou? Compartilhe!
Ana Luiza Fernandes Ana Luiza Fernandes

Ana Luiza Fernandes é brasileira, natural de Minas Gerais, formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e hoje cursa Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, Portugal. Possui trabalhos na área de Jornalismo Cultural, Fotografia, Documentário e Assessoria de Imprensa e é apaixonada pela profissão desde criança.

Receba mais informações como esta!

Receba a nossa newsletter

Ao submeter os seus dados receberá a newsletter, ofertas e publicidade enviado por e-konomista.com.br e pelos nossos Parceiros e aceita os Termos e Condições e a Política de Privacidade. Os dados submetidos serão compartilhados com os nossos Parceiros.

Enviar